Milagre de Lanciano

O milagre Eucar�stico e a Ci�ncia
Nossos sacr�rios mant�m entre n�s a realidade da Encarna��o: "O Verbo se fez carne e habitou entre n�s..." E habita ainda verdadeiramente presente entre n�s, n�o somente de uma maneira espiritual, mas com seu pr�prio Corpo � "Ave verum corpus, natum de Maria Virgine" canta a Igreja diante do SS. Sacramento: "Salve verdadeiro corpo, nascido da Virgem Maria, corpo que sofreu verdadeiramente e foi verdadeiramente imolado pela salva��o dos homens".
Esta presen�a real da carne de Cristo (� uma carne viva, unida � alma e a divindade do Verbo, pois Jesus esta hoje ressuscitado) � admiravelmente manifestada pelo milagre de Lanciano. Um milagre que dura 12 s�culos e que a ci�ncia acaba de examinar, e diante do qual, ela teve que se inclinar.
Sim, um milagre, e bem destinado ao nosso tempo de incredulidade. Pois, como diz S�o Paulo, os milagres s�o feitos n�o para aqueles que cr�em, mas para os que n�o cr�em. Ora, hoje em dia, um certo n�mero de crist�os da Presen�a Real, mesmo depois que o Papa Paulo VI, no documento " Mysterium Fidei", recordou-lhes claramente este dogma. Querem admitir, a exemplo dos protestantes, apenas um presen�a espiritual do Cristo na alma daquele que comunga; mas os sinais sacramentais do p�o e do vinho consagrados seriam puros s�mbolos, tal como a �gua do batismo, que n�o � e n�o permanece sen�o simples �gua, ainda que significando e realizando pela palavra que a acompanha � a purifica��o da alma. Depois da comunh�o, as h�stias que n�o houvessem sido consumidas, dizem eles, n�o seriam mais, nesse caso, sen�o p�o, podendo ser atiradas fora como coisas profanas... A pr�pria discri��o com que, em certas igrejas, cercam o sacr�rio, j� manifesta esta falta de f� profunda na presen�a real, e portanto, na palavra onipotente do Cristo: "Isto � meu Corpo! Isto � meu sangue!" Eis porque Deus permitiu para todos que duvidam da presen�a eucar�stica do Cristo ou que a negam, que um milagre, que dura h� mais de 12 s�culos, fosse nos �ltimos anos, posto em evid�ncia e verificado pela pr�pria ci�ncia.
Por minha parte, eu ouvira falar do milagre de Lanciano, mas o fato me havia parecido t�o forte, que desejei tomar conhecimento dele e julg�-lo por mim mesmo no pr�prio local. A pequena cidade Italiana de Lanciano nos Abrozzes encontra-se a 4 km da estrada de rodagem Pescara-Bari, que contorna o Adri�tico, um pouco ao sul da Pescara e de Chies. Em uma igrejinha desta cidade, igreja dedicada a S. Legoziano ( que se identifica com S. Longiano, o soldado que transpassou o cora��o de Cristo com a lan�a na cruz), no VIII s�culo, um monge basiliano durante a celebra��o da Missa, depois de ter realizado a dupla consagra��o do p�o e do vinho, come�ou a duvidar da presen�a na h�stia e no c�lice, do Corpo e do Sangue do Salvador. Foi ent�o que se realizou o milagre: diante dos olhos do Padre, a h�stia se tornou um peda�o de carne viva; e no c�lice o vinho consagrado torna-se verdadeiro sangue, coagulando-se em cinco pedrinhas irregulares de formas e tamanhos diferentes. Conservaram se esta carne e este sangue milagrosos, e no correr dos s�culos v�rias pesquisas eclesi�sticas foram realizadas.


Quiseram, em nossos dias, verificar a autenticidade do milagre, e 18 de novembro de 1970, os Frades Menores Conventuais que t�m a seu cuidado a igreja do Milagre decidiram, com a autoriza��o de Roma, a confiar a um grupo de peritos a an�lise cient�fica daquelas rel�quias, datadas de doze s�culos.As pesquisas foram feitas em laborat�rio, com estrito rigor, pelos professores Linoli e Bertelli, este �ltimo da Universidade de Siena. A 4 de mar�o de 1971, estes cientistas davam suas conclus�es, que em in�meras revistas de ci�ncia, do mundo inteiro divulgaram em seguida.
Ei-las:
"A Carne � verdadeiramente carne. O Sangue � verdadeiro sangue. Um e outro s�o carne e sangue humanos. A carne e o sangue s�o do mesmo grupo sang��neo (AB). A carne e o sangue s�o de uma pessoa VIVA. O diagrama deste sangue corresponde a de um sangue homano que tenha sido retirado de um corpo humano NAQUELE DIA MESMO. A Carne � constitu�da de tecido muscular do CORA��O (mioc�rdio). A conserva��o destas rel�quias, deixadas em estado natural durante s�culos e expostas � a��o de agentes f�sicos, atmosf�ricos e biol�gicos, permanece um fen�meno extraordin�rio".
Fica-se estupefato diante de tais conclus�es, que manifestam de maneira evidente e precisa a autenticidade deste milagre eucar�stico. Antes mesmo de as darem a conhecer de modo oficial, os peritos, no fim de sua analises, enviaram aos Padres Franciscanos de Lanciano o seguinte telegrama: " Et Verbum caro factum est" (E "o Verbo se fez carne.") Telegrama este, que � um ato de f�.
Outro detalhe inexplic�vel: pesando-se as pedrinhas de sangue coagulado (e todos s�o de tamanhos diferentes) cada uma delas tem exatamente o mesmo peso das cinco pedrinhas juntas! Deus parece brincar com o peso normal dos objetos.
In�til dizer-vos que nesta igreja, celebrei a Missa votiva do Sant�ssimo Sacramento com uma f� renovada: o senhor, por meio de tal milagre vem, verdadeiramente, em socorro de nossas incredulidades.
E depois que foram conhecidas as conclus�es dessa pesquisa cient�fica, os peregrino vem de toda a parte venerar a H�stia que se tornou carne e o vinho consagrado, que se tornou sangue.
Quanto a mim dois fatores me espantam. O primeiro � que se trata de carne e sangue de uma pessoa VIVA, vivendo atualmente, pois que esse sangue � o mesmo que tivesse sido retirado, naquele dia mesmo, de um ser vivo!
� bem uma prova direta de que Jesus Cristo ressuscitou verdadeiramente, que a Eucaristia � o Corpo e o Sangue de Cristo glorioso, assentado a direita do Pai e que, tendo sa�do do t�mulo na manh� da P�scoa, n�o pode mais morrer. Tantas tolices tem sido ditas, nesses �ltimos anos, contra a ressurrei��o do Cristo! Algum, desejariam, com emprenho que essa ressurrei��o n�o fosse sen�o um s�mbolo, elaborado como que um mito pela piedade muito ardente dos primeiros crist�os!...Ora, eis eu a ci�ncia vem de certo modo, em nosso socorro. Foi verdadeiramente na carne que o Cristo morreu e foi verdadeiramente tamb�m na carne, que Jesus ressuscitou no terceiro dia. E a mesma Carne �verdadeira carne nos � dada vida na Eucaristia, para que possamos viver da vida de Cristo! N�o � a carne de um distante cad�ver, mas uma carne animada e gloriosa. Portanto, vendo a H�stia consagrada, posso dizer como o Ap�stolo Tom�, oito dias depois da P�scoa quando colocou os dedos nas chagas de Cristo " Meu Senhos e meus Deus" � bem a carne viva do Deus vivo!"
Um segundo fato impressiona-me ainda mais: a Carne que l� esta � a carne do Cora��o. N�o a carne de qualquer parte do Corpo ador�vel de Jesus, mas a do m�sculo que propulsiona o Sangue � e por tanto a vida � ao corpo inteiro, do m�sculo que � tamb�m o s�mbolo mais manifesto e o mais eloq�ente do amor do Salvador por n�s. Quando Jesus se entrega a n�s na Eucaristia, � verdadeiramente seu pr�prio Cora��o que ele nos da a comer, � ao seu amor que n�s comungamos, um amor manso e humilde como esse Cora��o mesmo, um amor poderoso e forte mais que a morte, e que � o ant�doto dos fermentos de morte f�sica e espiritual que carregamos em nossa "carne de pecado".
A Eucaristia �, na verdade, o dom por excel�ncia do Cora��o de Jesus. S. Jo�o nos diz no come�o do cap�tulo XIII de seu Evangelho, antes de nos falar do preparativos da ultima Ceia de Jesus: "Tendo amado os seus que estavam no mundo. Ele os amou ate o fim". N�o tanto querendo significar: ate o fim de sua vida terrestre, mas ate os �ltimos excessos de onde poderia chegar a ternura de um Deus feito homem, do Amor infinito, tornando carne: Meu Cora��o � t�o apaixonado de amor pelos homens" dira um dia o Cristo em Parayle-Monial, revelando seu Cora��o a Santa Margarida Maria. Uma paix�o que o conduzi a cruz, que torna hoje presente sobre nossos altares em nossos sacr�rios e ate em nossos cora��es. Esta declarado em nosso Credo que Jesus, depois de sua morte, desceu aos infernos". Ressuscitado vivo, ele ai desce ainda hoje: ele vem � lama de nossos cora��es para arranca-los dessa lama. Ele vem a esses lugares de morte eterna. Ele vem em nossos cora��es, nos quais entrou o pecado � arrancar-nos da morte eterna e fazer-nos viver de sua vida divina. Seu Cora��o imaginou tudo isso, para testemunhar-nos � e de maneira singularmente eficaz � seu afeto se limites. Guardemos isto, em todo o caso: na Eucaristia eu recebo o Cristo todo inteiro, mas � verdadeiramente que se da e que eu como.
N�o t�nhamos tamb�m n�s, necessidade de revigorar a nossa f� na Eucaristia? E n�o foi sem raz�o que Deus permitiu que o milagre de Lanciano, antigo de 12 s�culos e sempre atual, nos fosse apresentado hoje pela pr�pria ci�ncia, por esta ci�ncia que alguns queriam colocar em oposi��o com a f� ou que a pudesse substituir.
Fiz quest�o de comunicar-vos as reflex�es que me inspirou o conhecimento deste milagre, e a emo��o profunda que ele produziu em minha alma. Agora que me aproximo do SS. Sacramento com renovado respeito � a��o de gra�as, adora��o, amor renovados. E n�o duvido que vos tendo comunicado o que eu mesmo descobri em Lanciano, n�o tenhas tamb�m v�s, diante da divina Eucaristia um sentimento mais vivo da presen�a do Verbo feito Carne que vem habitar em n�s, o Cristo ressuscitado, que nos ama com uma ternura infinita entretanto humana.
Jesus o prometeu: "Eis que estou convosco at� a consuma��o dos s�culos. Sim, at� o fim do mundo. Ele, o Verbo tornado Carne, desce em nossa carne e nos fez viver de sua vida eterna e gloriosa...
Padre Jean Ladame ( Chenoves 71940 SAINT BOIL, Fran�a)
Traduzido da revista "La Revue du Rosaire", dos PP. Dominicanos de Saint-Maximin-n�de junho de 1976.