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Walter Colli, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo, responde: A pergunta pressupõe que existe vantagem em substituir ar por nitrogênio para encher pneus. A menos que exista alguma razão física para isso, o que acho pouco provável, pois os coeficientes de dilatação térmica do oxigênio e nitrogênio são muito parecidos, sob o ponto de vista químico não me parece que haja vantagem significativa nessa operação. O coeficiente de dilatação térmica é um número associado à característica de cada material de sofrer dilatações motivadas por variações de temperatura. Diferentes materiais podem sofrer três tipos de dilatação: linear (como no caso de um fio de aço), superficial (como uma chapa de metal) ou volumétrica (como no caso dos gases). A borracha, em contato com o oxigênio do ar sofre uma reação química extremamente lenta que leva a uma contínua perda de elasticidade em virtude de quebra de duplas ligações e de ligações em pontos de ramificação do polímero. Existem polímeros naturais -como o látex, usado para a fabricação da borracha do pneu- e artificiais -como o teflon, usado para o revestimento de utensílios domésticos (panelas). Embora o gás nitrogênio esteja em maior concentração na natureza, ele é menos reativo do que o oxigênio. No entanto, não seria justificável usar nitrogênio para a pressurização, tendo em vista o tempo de vida médio de uma câmara de pneu, bem como o custo do nitrogênio gasoso, muitos furos acima do custo do ar comprimido, que é virtualmente zero. Se a pergunta se referisse a ozônio, cuja concentração aumenta com a altitude, ela teria algum sentido porque essa forma de oxigênio é extremamente reativa. Por isso, as tomadas de ar de aviões contêm filtro que transformam ozônio em oxigênio, pois, caso contrário, e rapidamente, sofreriam os passageiros e todas as borrachas do avião. |