Nortadas 2002


Nortadas

�pera bufa

Bastos Helder Bastos, 6 de Julho, 2003

M�SICA. O Porto oferece ao Pa�s mais uma das suas t�picas �peras bufas de trazer por casa, a fazer lembrar aqueles saudosos tempos da Porto 2001, quando o bar�tono Nuno Cardoso e a soprano Teresa Lago se mimoseavam com estridentes decib�is em p�blico. Volta o barulho com a Casa da M�sica, agora com sonoridades heavy metal. Acusa��es e desmentidos. Contas e correc��es. Demiss�es e comprometidas futuras contrata��es. Arquitectos menorizados. Relat�rios policopiados e cirurgicamente espalhados pelas redac��es dos jornais.

Milh�es para c�, m� gest�o para l�. Lama de uns para cima dos outros e vice-versa. Administradores demitidos com p�ssimo perder. Outros � espera de quarentena. Um ministro da Cultura a dan�ar em cima da cadeira ao som dos torpedos pol�ticos da prov�ncia. S� falta mesmo agora um avisado Mozart para recordar a toda esta gente que, quando as chamas come�am a queimar o rabo, Cosi fan tutte. Ou seja, todos fazem o mesmo.

POL�CIA. Eis uma verdadeira amostra do real estado da Na��o: a pol�cia com condi��es de trabalho terceiro-mundistas. Como ainda ontem o DN dava conta nas suas p�ginas, a maior parte das esquadras do Porto da PSP est� degradada. E n�o � preciso desconfiar muito do que dizem os sindicalistas do sector. Basta ir l� ver com os pr�prios olhos.

A falta de homens nalgumas esquadras agudiza-se no Ver�o, o patrulhamento das ruas quase desaparece em certas zonas. Chega-se ao c�mulo de p�r agentes a consertar a mec�nica dos j� de si calhambeques de servi�o. Por este andar, aparece por a� um dia destes um ultra-neoliberal na berra a garantir que a �nica solu��o � dar com o cacetete da privatiza��o nos problemas da PSP .

DE FUGIR. Alguns governantes do nosso cantinho europeu deprimido emulam no mais avisado dos cidad�os um irresist�vel impulso emigrat�rio para paragens menos beatas. Agora, ver uma par�dia grotesca como Berlusconi subir aos comandos da Uni�o Europeia d� vontade de, pelo menos nos pr�ximos seis meses, pedir asilo pol�tico ao Burkina Faso.

BOLOTAS. A alguns deputados da Na��o deu-lhes agora para o coitadismo em causa pr�pria. Foram a Sevilha ver a bola, baldaram-se para o Parlamento, n�o querem justificar a balda, digerem mal as cr�ticas de fora, aceitam pior as do presidente da Assembleia da Rep�blica. Como diriam os brasileiros, com aquela musicalidade marota na ponta da l�ngua: �Voc�s n�o se enxergam, p�?�

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