Nortadas 2002


Nortadas

Lambada na relva

Bastos Helder Bastos, 20 de Julho, 2003

M� VISTA. H� obras paradas no Porto por falta de dinheiro. Pra�as por acabar, jardins por rematar, passeios por arranjar, t�neis por fazer. H� pequenas associa��es da cidade a quem foram retiradas as �ltimas migalhas dos subs�dios camar�rios, o seu �nico sustento. Os grupos de teatro foram reduzidos � taxa zero pelo vereador da Cultura. H� o discurso de Rui Rio, repetido ad nauseum, de que a c�mara est� de tanga. E agora, de uma penada, a mesm�ssima autarquia � beira do colapso financeiro, mirrada pela conjuntura, chuta 50 mil euros para o Boavista dos Loureiros poder comemorar condignamente, com um belo jantar de gala, o cent�simo anivers�rio do clube, que chega a pagar por m�s aos seus jogadores v�rias vezes esmolas de dez mil contos.

Poder-se-� argumentar que o dinheiro nem � muito e que o FCP tamb�m teve uma prenda destas. Mas o que conta aqui � a altura e o sinal pol�tico: atrozmente incoerente. � um absurdo descomunal chegarmos ao s�culo XXI e considerar-se normal que as c�maras tenham de dar dinheiro p�blico para subsidiar �ind�strias� que movimentam milh�es de euros por m�s e, na maior parte dos casos, mal. Est�o quase todos falidos! Por incr�vel que pare�a, desta vez d� vontade de dar raz�o �s farpalhadas de Pinto da Costa: aquele dinheirinho era muit�ssimo mais bem empregue se subsidiasse uns milhares de sopas para dar aos pobres.

BOMBA. Ora, ningu�m diga que est� bem. O cidad�o do Porto bem pode estar tranquilamente em sua casa sem saber que ali nos Aliados algu�m assinou um papelinho a autorizar que lhe plantem umas bombas de gasolina ao p�. Daquelas de 24 horas por dia a encher dep�sitos. O �ltimo caso foi enxertado junto a uma bela vivenda da Avenida da Boavista. Sob o ponto de vista visual, um escarro. Legalmente, h� muitas d�vidas. O resto da Europa anda a tirar os postos de combust�vel da beira das casas. N�s por c� tudo bem, como de costume, obrigado. Algu�m faz o obs�quio de p�r este Pa�s a funcionar, por favor?

LAMBADA. A �poca tonta (silly season, como diria a nata dos frequentadores das �docas� de Gaia) a� est� em todo o seu esplendor. O presidente do FCP e a sua mulher oferecem um banquete de intimidade ao Pa�s. E a Na��o delira com tamanha novela da vida real portuense. Roupa suja, trai��o, amantes, amea�as, lambada, neg�cios, carros, milh�es, contas, queixas na pol�cia, descida ao hospital. O Bobby e o Tareco posam para a fotografia. Est� na altura de desligar a televis�o e atir�-la ao lixo.

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