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Nortadas
Colesterol urbano
Helder Bastos, 12 de Outubro, 2003
LATAS. O Porto tem pela frente uma guerra tit�nica contra dois monstros que a amea�am em assustador crescendo: o bet�o e o lat�o. O bet�o, essa tentacular ra�a da modernidade, conheceu na �ltima d�cada um per�odo de conquista territorial sem precedentes. Os construtores, �vidos de lucro a todo o custo por metro quadrado, chegaram-se � frente, os autarcas sim senhor, por que n�o, venham de l� esses rent�veis andares min�sculos, os especuladores ficaram b�bados de tanta margem de lucro, os arquitectos fartaram-se de desenhar colmeias habitacionais uniformes, quantas vezes mal enquadradas e desproporcionadas, as imobili�rias incharam de procura at� ao limite. Portanto, toda a gente ganhou com o neg�cio, n�o foi? O mesmo n�o se poder� dizer da paisagem, patrim�nio de todos e n�o apenas daqueles que ganham dinheiro, muito dinheiro, a dar cabo dela, de forma alegre, ignara e impune. Os actuais autarcas, bem como os senhores que se seguirem, t�m de _ devem _ parar com esta bandalheira an�rquica insuport�vel. Basta de defender por a� que o mais natural � uma grande cidade evoluir sempre no sentido inelut�vel da constru��o. O outro grande perigo para o espa�o urbano, as latas de quatro rodas, proliferam, reproduzem-se como coelhos pelas ruas, passeios, largos e at� jardins, qual pandemia biol�gica. De ano para ano, a olhos vistos, torna-se cada vez mais dif�cil transitar. Os autom�veis est�o a transformar-se numa esp�cie de mau colesterol para as art�rias da Invicta. O excesso de gordura de chaparia come�a a ser assustador e pode acabar por matar a cidade enquanto s�tio onde � suposto viverem milhares de pessoas em condi��es humanamente suport�veis. Mover guerra ao carro � vital para a sobreviv�ncia futura da cidade. Isso exige, por um lado, uma dose enorme de coragem pol�tica e, por outro, um planeamento firme e articulado. Que ningu�m fique � espera de os automobilistas deixarem, por sua livre e espont�nea vontade, os pop�s em casa. A alternativa a este combate herc�leo � ficar � espera que o cora��o da cidade pare, fulminado por um ataque de circula��o. MINORIA. V�o daqui os parab�ns para a Associa��o de Estudantes da Faculdade de Arquitectura do Porto. Tem a coragem de n�o alinhar na carneirada das praxes, tantas vezes infantil�ides, quando n�o perigosas, e dizer porqu�: n�o quer ali distin��es entre caloiros e veteranos. �Aqui trata-se toda a gente por igual.� Frontalidade, lucidez e coragem destas nos dias que correm merecem o mais caloroso aplauso.
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