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Nortadas
A ci�ncia de Gaia
Helder Bastos, 5 de Outubro, 2003
CI�NCIA GAIA. Gaia corre o risco de se transformar numa esp�cie de quarto de arrumos da cidade do Porto. Sempre pronta a receber tudo aquilo que a Invicta n�o quer, rejeita, ignora, despreza, enfrenta ou deixa cair. Do Teatro Experimental do Porto, passando pelo centro de est�gio do FCP ao futuro El Corte Ingl�s, s�o v�rios os exemplos do 'salto' para a outra margem. At� aqui, nada de extraordinariamente grave ou mesmo chocante. A Invicta n�o tem de gramar com tudo o que lhe querem impor, como acontece agora com a cadeia comercial espanhola, nem t�o-pouco pode acudir a todos os caprichos privados. Tem, isso sim, de preocupar-se com a devida preserva��o do seu patrim�nio urbano e cultural e do seu valor humano, �reas onde tem deixado, por vezes de forma arrepiante, a desejar. A cidade vizinha, essa, deve permanecer vigilante em rela��o aos seus pr�prios �mpetos. N�o v� a sua monumental vontade de estender o tapete laranja a quem vier a toque de caixa da outra margem estragar-lhe de vez o figurino. INSTANT�NEO. A Rua de 31 de Janeiro, num s�bado � tarde, pinta o breve retrato-paradigma do Porto contempor�neo: uma fila compacta de autom�veis novos em cima do passeio, o desfile das casas antigas a cair de podre pela rua abaixo. AT�MICOS. Eles bem fossam, espiolham, palmilham, esquadrinham. S�o aos milhares os inspectores at�micos em busca de uma pitada que seja de armas de destrui��o maci�a. Mas, nada. O pa�s que estava � beira de mandar este planeta para melhor em 45 minutos, afinal, de maci�o s� tem o petr�leo, a pobreza, a fome. Foi-se a desculpa para a invas�o preemptiva (esta terminologia militar�ide � de verdadeiro choque e pavor) do Iraque. Fica o permanente retrato de estupidez e obtusidade dos manos Bush & Blair e de alguns pe�es menores seus amigos nas sete partidas do xadrez mundial. Eles esfregam as m�os: calma, pois as armas ainda v�o ser encontradas e a guerra, finalmente, justificada perante o tribunal da opini�o p�blica mundial, pelo menos daquela que ainda se aproveita. J� perderam a face, os grandes l�deres. Teimam em n�o salvar-se da vergonha, os ignorantes de pias inten��es crist�s. GAIA CI�NCIA. Escrevia o fil�sofo Nietzsche, em 1882, na sua obra A Gaia Ci�ncia: �Em sociedade, n�o nos podemos limitar a defender o que est� certo, que seria aquilo a que a l�gica pura aspiraria; temos que tolerar sempre uma pequena dose de irracionalidade.�
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