|
|
Nortadas
O banco da casa
Helder Bastos, 28 de Setembro, 2003
� mais um claro caso para dar subst�ncia � express�o popular �uma no cravo, outra na ferradura�. A v�tima � a do costume: o Porto. Apenas dois dias depois de o presidente da c�mara ter apresentado as linhas para a revis�o do Plano Director Municipal, linhas essas que apontam claramente no bom sentido, privilegiando o repovoamento e a reabilita��o urbana, a qualidade em detrimento da quantidade de bet�o especulativo e quejandos, a Invicta apanha mais um susto de morte. Pelos vistos, a Casa da M�sica, devido a permutas de terrenos e outros �acordos de cavalheiros� fora do alcance do cidad�o comum feitos ainda nos consulados rosa de Fernando Gomes e de Nuno Cardoso (as prendas imobili�rias armadilhadas deixadas � cidade por estes dois autarcas come�am a tresandar), vai gramar com um mamarracho de sete andares nas suas costas. Um banco, imagine-se. Mais um. Tem tudo a ver, de facto. Talvez os arquitectos desta desgra�a que se perfila no horizonte traseiro do monobloco de Koolhaas tenham concebido o monstrengo banc�rio de forma a compensar o crescente div�rcio entre o capital e a cultura. Quem sabe, ter-lhes-� passado pela cabe�a impulsionar as sinergias do mecenato financeiro-cultural apostando, de forma decidida, na proximidade f�sica. O tr�gico movimento pendular entre boas perspectivas no papel e cat�strofes no urbanismo algum tempo depois parece ter-se transformado numa fatalidade inelut�vel na Invicta ao longo dos �ltimos anos. O caso do Parque da Cidade �, a este n�vel, paradigm�tico. Ofereceu-se um belo espa�o � Invicta, sim senhor. Mas esperem l�, agora h� mais uns brindes na cartola. Umas bombas de gasolina aqui ao lado. Mais umas torres para acol�, a ver se cola. Audit�rio mais l� para o futuro. No canto, o pavilh�ozinho para a �gua. Salpique-se com a ideia de mais umas infra-estruturas � medida de cada c�rebro aut�rquico que por c� vai passando. A repeti��o sistem�tica do aleat�rio e do imprevis�vel na gest�o aut�rquica � simplesmente assustadora. Daqui a duas ou tr�s d�cadas, o Parque poder� estar transformado num cruzamento gen�tico entre o Central Park de Nova Iorque e a antiga Feira Popular de Lisboa. Quanto � Casa da M�sica, o futuro poder� n�o ser brilhante. Se meia d�zia de meses depois de abrir n�o der lucro, o BPN faz-lhe uma OPA, monta l� os escrit�rios da administra��o, pinta-a de azul e branco e convida Burmester para tocar no piano do bar.
|