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Nortadas 2001
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Nortadas
Ensaio sobre a degluti��o de batr�quios
Helder Bastos, 1 de Setembro, 2002
GIGANTES. O sapo � um batr�quio anuro semelhante � r�. Nas �ltimas d�cadas, o seu habitat natural sofreu transmuta��es radicais. Dos rios, lagos e campos, onde o emprego � escasso e as hip�teses de subir na vida quase nulas, mesmo para um simples anf�bio, a saltitante esp�cie migrou para as grandes cidades. Aqui encontrou no neg�cio imobili�rio terreno f�rtil para a concretiza��o de fulgurantes carreiras. E hoje, do Porto a Lisboa, de Albufeira ao Funchal, aut�nticas Wall Street de oportunidades para batr�quios trepadores, os sapos est�o por todo o lado, em pilhas de 10, 15, 20, 30 ou mais andares. Tal profus�o do bicho careca nas urbes obrigou mesmo a muta��es gen�ticas paulatinas no aparelho digestivo dos autarcas. Veja-se o caso, de particular interesse cient�fico, do vereador do Urbanismo do Porto. Esta semana, Ricardo Figueiredo assumiu em p�blico a inevitabilidade de a sua c�mara ter de deglutir tr�s sapos gigantes, baptizados com o nome de Torres Altis, plantados na Foz pelo anterior poder �rosa�. E tratou de prevenir os mais desprevenidos portuenses: mais sapos vir�o. � de crer que a procura de Alka Seltzer nas farm�cias da Invicta dispare nos pr�ximos tempos.
POL�TICOS. A arte da degluti��o de batr�quios encontra no campo pol�tico terreno f�rtil. Os pol�ticos, mesmo quando militam no mesmo partido, fartam-se de engolir verdinhos uns dos outros. No dia da rentr�e do PSD, no horr�vel cen�rio urban�stico da P�voa do Varzim, quando Dur�o Barroso subiu ao palco ainda n�o tinha feito a digest�o completa do coaxo que o seu colega Menezes lhe serviu � mesa das p�ginas de O Independente. O autarca de Gaia vertera por cima do desempenho do primeiro-ministro um molho laranja t�o saboroso como maionese estragada em dia de Ver�o: �Portugal n�o tem rumo nem timoneiro.� No com�cio, Barroso prometeu m�o durona para aqueles que n�o cumpram o seu dever.
MARRETAS. Na grande �rea do futebol nacional, os sapos s�o, � luz das exig�ncias de uma requintada cuisine fran�aise, da pior esp�cie. Em vez de finos, delicados, poucos e saborosos, s�o em geral gordos, mais que as m�es, brutos e intrag�veis. Veja-se o banquete de anf�bios que os dirigentes da bola lusitana do Norte t�m servido entre si, sobretudo ao n�vel das bocas, com direito a processo disciplinar, trocadas entre Pinto da Costa e o cl� Loureiro. � um milagre da ci�ncia ver como os nossos est�magos conseguem aguentar com as pratadas de verborreia que estas figuras nos oferecem quase todos os dias. Que saudades do Sapo Cocas e seus amigos Marretas.
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