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Comunicarte

Remoto controlo

Bastos Helder Bastos, 20 de Novembro, 1999

Novas tecnologias em velhas m�os erradas podem dar para o torto. Sat�lites, telem�veis, computadores, c�maras de v�deo, rel�gios, sapatos, bot�es e canetas podem, devidamente orquestrados, transformar-se no pior pesadelo para a privacidade dos cidad�os. O famoso "Big Brother" entrou definitivamente nos carris da Era Digital. Ou ser� s�, como cantava o Ant�nio Varia��es, projec��es que o cinema lan�a no nosso olhar?

Um senador norte-americano, corajoso o suficiente para resistir a poderosos grupos de press�o, � assassinado. Vers�o oficial: suic�dio. Mas uma c�mara de v�deo estava l�. Por acaso, "viu" tudo. A cassete acaba nas m�os, erradas, de um pacato ecologista. Acabou morto, o desgra�ado. Um advogado, tamb�m errado no s�tio e na altura, acaba metido ao barulho. A sua vida � pura e simplesmente arruinada por servi�os de seguran�a estatais dos EUA, que julgam que as comprometedoras imagens est�o em sua posse.

O filme, agora em fase de aluguer, chama-se "Inimigo P�blico". E � dos tais capazes de nos p�r a olhar de lado, algo desconfiados, para aquelas c�maras de v�deo que vemos nas ruas das nossas cidades. Est�o l� em cima penduradas de modo a algu�m, algures, num "bunker", vigiar o tr�nsito. Mas, e se...por acaso...

Filme-den�ncia, "Inimigo P�blico", explora, no limite, a rela��o, tornada perversa, entre alta tecnologia e privacidade. Entre perfeito dom�nio instrumental e total irresponsabilidade pol�tica. Em �ltima an�lise, entre evolu��o tecnol�gica e regress�o democr�tica.

N�o � hoje novidade para ningu�m que, das for�as armadas �s "secretas", as m�quinas estatais dos pa�ses mais desenvolvidos t�m � sua disposi��o uma pan�plia de "olhos e ouvidos" electr�nicos que, na eventualidade de serem mal utilizados, podem constituir uma inc�moda arma apontada aos cidad�os.

Da� a necessidade, imperiosa, do aperfei�oamento de mecanismos de controlo democr�tico. Que, em Portugal, em rela��o ao SIS, andam pelas ruas da amargura, gra�as aos infelizes empates entre deputados.

O filme de Tony Scott tem, claro, um final feliz. Os maus da fita s�o apanhados. Seguem-se as puni��es exemplares e as promessas de redobrada vigil�ncia.

Mas uma personagem deixa, no final, o toque c�ptico da moral da hist�ria: quem vai controlar quem controla o "Inimigo P�blico"?

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