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A hist�ria do vinil

Bastos H�lder Bastos, 27 de Fevereiro, 1999

Pois �. A esta hora, os seus velhos discos de vinil est�o para a� arrumados num qualquer canto obscuro da casa. No s�t�o. No fundo do arm�rio da aparelhagem, encimada por um velho gira-discos, entravadinho por falta de uso, longe dos tempos gloriosos em que fazia girar em cima de si os Beatles, os Stones, o Dylan, o V�tor Espadinha ou o Quarteto 1111.

Durante d�cadas a fio, os discos pretos foram o passaporte para muitas horas bem passadas. Em casa, nas discotecas, nos inesquec�veis "slows" dos bailaricos de aldeia. Aquelas enormes rodelas j� por a� andavam quando o mundo entrou em grandes guerras. Viram nascer o rock. Aguentaram as guitarradas do Hendrix e os agudos de James Brown. N�o sucumbiram � chegada do rap. At� a voz do Rui Reininho souberam encaixar com grande "fair play" nas suas estreitas espiras.

Hoje, servem para serem esfregados por "DJs", com a ponta dos dedos, para tr�s e para a frente, em s�tios de dan�a onde turbas de gente nova ondulam ao ritmo "techno" da aliena��o.

Apesar de minorit�rio na era digital, h�, no entanto, um grupo de gente audi�fila resistente que trata os discos de vinil com o devido respeito e aten��o. Recupera os antigos. Compra novos nas poucas lojas que ainda os vendem. Por vezes, paga os olhos da cara. Agora, com a Internet � m�o, consegue mais facilmente chegar a �lbuns raros ou n�o dispon�veis por c�.

Os mais radicais nem sequer querem ouvir falar em CDs. Aquilo n�o � som natural, dizem. Quem, hoje em dia, j� s� ouve os discos digitais olha para estes audi�filos da velha guarda como quem olha para um bando de rapazes acabados de sair do Conde Ferreira.

O acto de pegar num disco de vinil e p�-lo a girar debaixo de uma agulha que, de vez em quando, entope de p� e detecta estalidos, � um ritual �nico. � como pegar num bom vinho do Porto de 1930 e sabore�-lo at� � �ltima gota, mesmo que pelo meio apare�am pequenos bocados de rolha desfeita pelo tempo. O peso do tempo da hist�ria tem outro sabor.

�, ainda, como ouvir os pol�ticos de ontem e os de hoje. Apesar de aparecerem, por vezes, riscados, ainda sabe muito melhor ouvir falar os anal�gicos M�rio Soares, Cavaco Silva, �lvaro Cunhal ou Freitas do Amaral do que p�r os ouvidos � disposi��o dos compactos digitais Guterres, Marcelo, Carvalhas ou Portas.

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