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O pre�o das m�quinas
H�lder Bastos, 30 de Janeiro, 1999Estar�o as sociedades actuais a ficar mais �frias�, desumanas e descaracterizadas por causa das m�quinas e das tecnologias? Num daqueles livros a merecer reedi��o urgente, Neil Postman acha que sim. Que, de algum modo, estamos a ser escravizados pelas estat�sticas, pelo n�mero, pela informa��o, pela maquinaria espalhada por todo o lado. Estaremos, sob o ponto de vista cultural e espiritual, a esquecer a tradi��o e a ficar mais pobres. Lan�ada no in�cio da d�cada, �Tecnopolia - Quando a cultura se rende � tecnologia� � uma obra refrescante. Cont�m ideias que s�o aut�nticos estalos numa certa histeria tecnol�gica reinante, agora enriquecida pela amea�a de um v�rus inform�tico suscept�vel de p�r a Terra em estado comatoso � passagem do mil�nio. Postman, director do Departamento de Artes e Ci�ncias da Comunica��o da Universidade de Nova Iorque, entende que a nova ordem social rendida � tecnologia esqueceu e subverteu valores fundamentais da humanidade, como a cultura, a liberdade, a religi�o, a pol�tica e a privacidade. Para j� n�o falar da pr�pria intelig�ncia. �Tecnopolia�, definida como �a submiss�o de todas as formas de vida cultural � soberania da t�cnica e da tecnologia�, � um livro provocador. Saudavelmente provocador. Ao longo de cento e oitenta p�ginas, o autor questiona �tecnopolias� absurdas, como os testes de QI (a intelig�ncia n�o tem cent�metros para ser medida), e o papel de pe�as t�o simples como o estetosc�pio no exerc�cio da medicina. Dantes, o m�dico auscultava o doente de forma directa: usava as m�os para palpa��o e encostava o ouvido sobre o peito para ouvir o bater do cora��o. Com o aparecimento do estetosc�pio, o contacto f�sico passou a ser mediado pela pequena m�quina. A partir deste exemplo, Postman extrapola para a medicina actual. Hoje, as m�quinas ocupam um espa�o avassalador e, porventura, o contacto �humano� m�dico-doente j� n�o � o que era dantes. Seria imagin�vel uma greve �self service� feita pelos m�dicos portugueses de h� cem anos atr�s? A prop�sito de greves, Postman cita um estudo do Senado norte-americano capaz de gelar qualquer cidad�o: sempre que os m�dicos norte-americanos fazem greve, a taxa de mortalidade decresce. Mais: desde 1974, fizeram-se dois milh�es e quatrocentas mil opera��es desnecess�rias das quais resultaram onze mil e novecentas mortes. Que fazer perante sociedades dominadas pelo c�lculo e pela t�cnica? Por televis�es e computadores? Por testes de intelig�ncia e sondagens? Por excesso de informa��o e padroniza��es? Ser �resistente rom�ntico�, responde Postman.
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