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Comunicarte
Os herdeiros do videotexto
Helder Bastos, 30 de Setembro, 1995
Imagine que o leitor estava a ler este Comunicarte no ecr� de um computador. Nas m�os teria, em vez de papel, um "rato". Com ele poderia percorrer, rapidamente, todo o texto. Imagine que a palavra Comunicarte aparecia aos seus olhos em cor azul, contrastando com o negro das restantes. Faria um "click." no azul e aparecia-lhe de imediato um outro texto. Lendo-o poderia ficar a saber, por exemplo, que esta coluna do JN � publicada aos s�bados, desde Mar�o de 1994, e nela se fala sobre a comunica��o, em geral, e o jornalismo, em particular. Tendo conclu�do esta pequena opera��o, o leitor acabara de utilizar uma das grandes vantagens dos jornais electr�nicos: a possibilidade de, a partir de um texto, saltar para uma infinidade de outros com ele relacionados. Os jornais electr�nicos, postos � disposi��o dos utilizadores de redes de computadores, a maior das quais a Internet, recorrem hoje abundantemente a esta mais-valia infomativa. Alguns produtos disp�em de fotografias, sons e imagens a cores. Ou seja, funcionam j� num ambiente "multimedia", um palavr�o muito em voga neste fim de s�culo. A oferta de jornais "on-line" tem crescido, nos �ltimos meses, a um ritmo impar� vel, quer a n�vel de quantidade quer de qualidade. Este crescimento � acompanhado pelo aumento brutal do n�mero de utilizadores das redes inform�ticas em quase todo o Mundo. L� para o ano 2000, os cibernautas poder�o ser perto de cem milh�es. Os actuais 30 milh�es de utilizadores da Internet podem consultar mais de 300 jornais electr�nicos, escritos nas mais variadas l�nguas. No entanto, o entusiasmo das empresas jornal�sticas em rela��o �s redes inform�ticas nem sempre foi t�o acentuado. Em meados da d�cada passada, reinava ainda um pessimismo carregado relativamente �s vantagens das publica��es no ciberespaco. Nessa altura, os empres�rios do sector da Imprensa, nomeadamente os anglo-sax�es, investiram largos milhares de d�lares em projectos editoriais "on-line". Mas, em 1986, a fraca resposta dos leitores e o baixo n�vel de subscri��es levaram as empresas a desinvestir. Consultores e propriet�rios concordavam, ent�o, num ponto: os jornais electr�nicos n�o seriam uma amea�a nem para a publicidade dos jornais tradicionais nem para os seus n�veis de leitura. S� que, passada quase uma d�cada, o pessimismo deu lugar a uma onda de "euforia". De 42 servi�os interactivos de todo o tipo em 1989, deu-se um salto para os 2700. At� ao final do ano corrente, poder�oo estar dispon�veis mais de 500 jornais s� na lnternet. Apesar do entusiasmo, ningu�m parece estar ainda de acordo quanto ao que um jornal electr�nico deve ser. Novas experi�ncias e tentativas s�o feitas quase diariamente. Os t�cnicos tentam encontrar as ferramentas e as tecnologias mais adequadas. Os jornalistas procuram apurar qual o formato e o conte�do que mais agradam a uma nova esp�cie de p�blico: os leitores virtuais. Isto �, nesta mat�ria, ningu�m sabe ao certo para onde vai. De onde os jornais electr�nicos v�m � que se sabe alguma coisa. Nasceram do desenvolvimento do videotexto, na Gr�-Bretanha, por volta de 1974. J� na altura, os pioneiros desta tecnologia perceberam que a maior parte dos utilizadores queria era recolher informa��o e armazen�-la para consumo pr�prio. Talvez n�o imaginassem � que, passados poucos anos, essa informa��o pudesse ficar guardada com cor, som e movimento em computadores caseiros espalhados por mais de 150 pa�ses.
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