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Comunicarte
Bloco de notas
H�lder Bastos, 23 de Janeiro, 1999O homem regressou de Estrasburgo para dizer o que pensa. Dizer o que pensa? O chefe Marcelo mostrou-lhe logo o cart�o de S�bado � noite. Social e democrata, Jardim cortou-lhe o pio. Ant�nio Capucho s� agora deve ter percebido que a pol�tica partid�ria � portuguesa ainda n�o passou da fase do carv�o e do a�o. Alegre l� vai aparecendo na TV e nos jornais para dizer que deputado n�o � mero pe�o de partido nem pau mandado por secretaria. � uma frescura ouvi-lo ousar, assim, no meio daquele p�ntano discursivo de conformismo, de alian�as pegajosas, de degluti��o de sapos e de �disciplina partid�ria� em que se encontra mergulhada boa parte da vida pol�tica nacional. Que precisa, urgente e incondicionalmente, de mais mulheres. Mas... ter�o elas pachorra para os aturar? O governo angolano resolveu mandar calar duas jornalistas portuguesas. Pois �. Eduardo dos Santos acabou por dar express�o a uma vontade reprimida de dezenas e dezenas de governantes, incluindo alguns civilizados, deste pobre planeta: a de p�r um silenciador na ponta do cano da liberdade de imprensa. Agora, com �habaneros� � mistura e tudo, os soldadinhos das FAA e da Unita podem continuar a matar-se em paz uns aos outros. Com o alto patroc�nio de ambas as partes, os telejornais v�o continuar a servir-nos, ao jantar, imagens insuport�veis de crian�as angolanas esfomeadas e moribundas e m�es secas e desfalecidas por tanta guerra sem sentido. Para conhecermos por dentro graves problemas geopol�ticos como o de Angola, o �Monde Diplomatique� � de leitura indispens�vel. Este mens�rio vai, em breve, ter uma edi��o em portugu�s. � excelente not�cia. Igualmente boa ideia seria a tradu��o para a nossa l�ngua do �ltimo livro do seu director. Ignacio Ramonet escreveu �G�opolitique du chaos�. Globaliza��o, desigualdades sociais, neoliberalismo, concentra��o dos meios de comunica��o social, a fun��o social dos jornalistas, s�o temas que ocupam o pensamento de Ramonet. Como o pr�prio demonstrou numa recente, e excelente, entrevista concedida � RTP. Estreou, este fim-de-semana, um daqueles filmes que, mesmo antes de ser visto, j� � uma tenta��o. O actor c�mico, italiano, divertid�ssimo, Roberto Benigni leva-nos a ver como, apesar de tudo, �A vida � bela� num campo de concentra��o durante a Segunda Guerra. Sob o olhar dos nazis, um pai judeu tenta convencer o seu filho de que tudo aquilo � mentira, que n�o passa de uma encena��o, de um inconsequente jogo de adultos. �A vida � bela�, mas n�o ser� s� para rir.
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