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Comunicarte

O poder
das boas not�cias*

Bastos Helder Bastos, 30 de Outubro, 1999

O investigador Michael Schudson come�a um dos seus mais recentes livros, �The Power of News�, convidando os leitores a imaginarem um mundo onde toda a gente pode distribuir informa��o a toda gente atrav�s de um computador. Onde qualquer pessoa pode ser o seu pr�prio jornalista.

Schudson sugere que, num mundo destes, as pessoas depressa se sentiriam desorientadas face �s complexas tarefas de escolher fontes leg�timas e navegar num mar infind�vel de informa��o.

Num mundo imagin�rio destes, que, afinal, vemos materializar-se paulatinamente com a expans�o da Internet, a necessidade de encontrar fontes fi�veis, relativamente imparciais e de confian�a, parece aumentar na propor��o directa do crescimento exponencial da oferta informativa. Donde, o jornalismo ter� todas as condi��es para ser reinventado em vez de, como proclamam alguns, ser gradualmente eliminado.

� prospectiva pessimista, porventura baseada mais em projec��es distantes no tempo do que em s�lidos indicadores do presente, poder� contrapor-se a quest�o de saber se certas aptid�es pr�prias desenvolvidas pelo jornalista n�o se afirmar�o como cruciais.

As capacidades de selec��o, s�ntese, hierarquiza��o, enquadramento e mesmo de personaliza��o da not�cia poder�o ser insubstitu�veis no ciberespa�o, onde fen�menos como o da sobreinforma��o se v�em exponencialmente agravados.

Acresce que a experi�ncia do jornalista na rela��o com fontes de informa��o, se bem que n�o isenta de escolhos ou v�cios, poder� igualmente continuar a constituir uma mais-valia. O facto de, com o novo meio, o utilizador poder dispensar a intermedia��o jornal�stica, entrando em contacto directo com as fontes, n�o garante, � partida, a totalidade e a fiabilidade da informa��o recolhida.

Se, retomando o conceito de �mediamorfose�, de Roger Fidler, aplicarmos ao jornalismo os princ�pios da co-evolu��o e coexist�ncia, que t�m presidido � pr�pria evolu��o dos �media�, teremos que as novas formas de jornalismo �online� n�o substituir�o as tradicionais: ambas tender�o a coexistir, moldando-se e transformando-se, mutua e interactivamente, ao longo do tempo.

N�o obstante, convir� n�o perder de vista, em termos de acompanhamento te�rico, determinados aspectos que tornam �nica a experi�ncia evolutiva da Internet. Trata-se de um novo meio que, para al�m de acolher todos os media tradicionais, conferindo-lhes novas roupagens e diferentes horizontes, se expande de formas sem precedentes no atinente a ritmo, escala, controlo e modalidades comunicacionais.

Se h� uma conclus�o gen�rica a tirar desta problem�tica � a de que, apesar de se antever um significativo impacto do novo meio no jornalismo, ser� ainda prematuro produzir asser��es definitivas, quer sobre a forma como os jornalistas ser�o afectados no seu of�cio, quer sobre o modo como os leitores/utilizadores se posicionar�o face aos jornalismos tradicional e �online�.

*Excerto de uma comunica��o apresentada, esta semana, no 3� Encontro Lus�fono da Comunica��o, na Universidade do Minho.

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