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Comunicarte

Vira o disco
e n�o toca o mesmo

Bastos Helder Bastos, 23 de Outubro, 1999

O mundo da alta fidelidade anda, de novo, em grande reboli�o. A ind�stria do sector tem-se entretido �s cabe�adas para ver quem vai destronar os nossos �velhos� discos compactos digitais: o Super �udio CD ou o DVD �udio? O mercado que decida.

Pelos vistos, estamos prestes a assistir, na �rea do som, a uma guerra parecida com a que se travou, na do v�deo caseiro, entre os formatos VHS e Beta. O primeiro, como se sabe, levou a melhor, embora se veja agora amea�ado pelo aparecimento do DVD V�deo. (Um dia destes, vai ser preciso tirar um curso superior para montar um simples sistema de som e imagem em casa).

O assalto publicit�rio ao consumidor j� come�ou. Em encartes nas revistas da especialidade. Nas montras das lojas. No in�cio das cassetes alugadas no clube de v�deo. E, certamente, no �Audioshow 99�, a decorrer, este fim-de-semana, num hotel de Lisboa.

Que, para ver filmes em casa, o DVD V�deo parece ter pernas para andar, isso parece um dado adquirido. Agora, seguem-se as d�vidas e confus�es na cabe�a dos amantes da frui��o musical, que v�em os fabricantes e editoras discogr�ficas divididos ao meio.

Os defensores do Super �udio CD, entre os quais se contam as gigantes Sony e Philips, defendem a sua dama dizendo que este � um formato muito vers�til. Uma esp�cie de dois em um. Tem grava��o de alta resolu��o, mas tamb�m possui a anterior, de mais fraca qualidade.

Diga-se, em defesa deste formato, que os respectivos leitores tamb�m aceitam os tradicionais CD, pelo que, desta forma, n�o ser� necess�rio mandar para o s�t�o do esquecimento colec��es inteiras de �lbuns acumulados ao longo dos anos.

Do lado do DVD �udio, onde se encontram empresas como a Toshiba e a Pioneer, a par de editoras audi�filas, como a Chesky Records, argumentam com a qualidade s�nica superior destes novos disquinhos prateados.

�E, no meio de tudo isto, que figura fazemos n�s, quer revistas t�cnicas, quer consumidores?�, perguntava, em recente editorial, o director da revista portuguesa Audio . �Pois uma figura nada dignificante, j� que pretendem impingir-nos (� mesmo esse o termo), os dois formatos ao mesmo tempo, incompat�veis que s�o um com o outro, esperando que sejam as leis do mercado a decidir qual deles vai ficar definitivamente no mercado�, acrescentava Jorge Gon�alves.

Que fazer? Talvez esperar. Enquanto isso, ponha a� as velhas rodelas de vinil negro a rodar em cima do gira-discos e delicie-se como quem bebe uma boa colheita de Porto antigo.

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