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Comunicarte

O cinema
depois de Hollywood

Bastos Helder Bastos, 9 de Outubro, 1999

O mundo da m�sica est� a levar uma reviravolta por causa das novas tecnologias digitais. Editoras discogr�ficas e m�sicos j� se renderam de vez � Internet. A poderosa ind�stria do cinema � a senhora que se segue a descer do seu Olimpo.

O tema do impacto das novas tecnologias digitais no cinema foi capa no �ltimo n�mero da revista �Wired�, publica��o famosa entre os amantes da cibercultura. O t�tulo escolhido parecer�, para alguns, ousado: �A vida depois de Hollywood�.

Em s�ntese, � colocado em relevo o seguinte: at� agora, quem quisesse fazer um filme para grandes audi�ncias era, invariavelmente, apanhado num ciclo vicioso. Filmes custam milh�es. Portanto, qualquer aspirante a Spielberg tinha de gastar muita sola. Engraxando investidores, alienando direitos, enterrando-se em avultadas d�vidas, perdendo controlo art�stico sobre as suas obras, etc. Um verdadeiro calv�rio.

De repente, �a paisagem cinematogr�fica come�ou a mudar�, refere Bob Kenner. Os tubar�es de Hollywood v�em-se agora obrigados a sentar-se � mesa com os bilion�rios da alta tecnologia. A elite dos est�dios cinematogr�ficos parece ter percebido que �o futuro � a Internet�.

C� em baixo, ao n�vel dos realizadores e actores, as mudan�as n�o s�o menos significativas. Com as c�maras de filmar digitais a pre�o acess�vel e com as possibilidades de distribui��o mundial oferecidas pela Internet, nasceu o �microcinema�, definido como uma nova maneira de criar, distribuir e mesmo de visionar filmes.

�Os avan�os t�cnicos est�o a conduzir esta transforma��o de uma maneira que torna a produ��o de filmes mais acess�vel, pessoal e espont�nea do que nunca�, sublinha Kenner.

Foi a emerg�ncia do �microcinema� que conduziu a uma situa��o sem precedentes. No Ver�o passado, nos Estados Unidos, a grande estreia foi a continua��o da saga da �Guerra das Estrelas�, de George Lucas. Como � f�cil de perceber, trata-se de uma produ��o mastod�ntica, envolvendo verbas astron�micas e meios t�cnicos a condizer.

Mas, para surpresa geral, surgiu um filme vindo do nada que tamb�m se tornou num sucesso estrondoso de bilheteira. Estreou em menos de mil salas. Custou apenas seis mil contos a fazer. Foi filmado por e com gente muito nova. Uma das c�maras digitais custou 95 contos numa loja de electrodom�sticos.

A obra, �The Blair Witch Project�, rendeu nove milh�es e meio de contos na primeira semana de exibi��o.

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