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Comunicarte
A política da batata
Helder Bastos, 25 de Setembro, 1999
Os bonecos do «Contra-Informação» têm, a brincar, uma piada infinitamente menor do que os políticos, a sério, em debates eleitorais. Para a história dos duelos televisivos ficou, esta semana, a consagração política da lógica da batata. Paulo Portas, porventura aconselhado por um arrojado gestor de imagem e «marketing», daqueles que pregam a ideia de que político se vende como saco de batata, acaba de apresentar a nova tendência de Outono para os embates retóricos na TV: quando a discussão começa a resvalar contra o próprio, quando o realizador lá da casa manda fazer um «close up» para se ver estampado no ecrã o nervosinho saltitante dos olhos e lábios, há que tirar tubérculos da cartola para dar a volta ao resultado. É dos livros que o inesperado resulta optimamente na televisão. Os telespectadores que mantêm o receptor ligado enquanto falam de Timor ou das recorrentes agonias do Sporting, estacam de olho em bico quando um dos artistas faz uma qualquer pirueta que não seja o habitual desfilar de argumentos batidos, baixos ou inconsequentes. Foi o que fez o líder do PP, qual John Wayne acabado de chegar a um «saloon» do Velho Oeste. Em vez de sacar do coldre um par de pistolas de punho dourado e cano comprido, pousando-as virilmente no balcão antes de pedir uma copo de rum, Portas sacou de um inofensivo par de batatas para encostar à parede o xerife do governo. Em nome da lavoura nacional. Quando é que esta gente se convence, de uma vez por todas, de que o que a política menos precisa é de pequenos números de circo para entreter o povo? Muitas vezes, aqueles que criticam publicamente os políticos são por sua vez apontados por, alegadamente, entrarem num jogo perigoso de descredibilização do candidato, do deputado, das instituições democráticas. É preciso dizer que este argumento não cola a cem por cento. Por uma razão muito simples: são os próprios candidatos, os próprios deputados, os próprios «boys» e respectivos «jobs» que tratam de cavar, incansavelmente, a sepultura à sua própria credibilidade. Isso começa em coisas sérias e graves, como, por exemplo, as falcatruas de capoeira com as viagens parlamentares, e acaba no preocupante nível de argumentação e postura apresentado em muitos debates eleitorais. Onde, por vezes, a coisa encerra mesmo à batatada. Pode ser divertido. Mas não dá para rir.
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