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Os bons, os maus e os idiotas

Bastos Helder Bastos, 11 de Setembro, 1999

No meio de tanto drama, de tanto sofrimento, de tanta atrocidade, de tanta fúria e desânimo, de tanto desvario internacional, Timor Lorosae deixa-nos, uma vez mais, coisas boas e perenes.

Os bons deste filme são, inequivocamente, os timorenses. Dentro e fora da sua terra, lutam, resistem, sofrem, enfrentam, desafiam, batalham. Sobrevivem. Deram-nos uma enorme lição sobre o valor da liberdade do acto de votar. Do alto das nossas confortáveis democracias ocidentais, fácil e levianamente tendemos a trocar a urna de voto pelo macio do sofá ou da areia da praia.

De forma trágica para si próprios, os timorenses contribuíram para o desmascarar definitivo (se dúvidas restassem) da triste hipocrisia que preside ao manhoso jogo de interesses dos países que governam os destinos do mundo.

Bom tem sido, também, ver a coragem e abnegação dos jornalistas. Portugueses e não só. Em condições físicas e emocionais dificílimas, como as vividas por aqueles que ficaram na UNAMET, estes profissionais no terreno são o fio ténue e precário de comunicação que nos liga àquela realidade distante. A CNN é que se distraiu. Sem «marines» nem «tomahawks» tracejantes para filmar, não houve direito a repórteres-estrela «live» em Díli.

Bons foram, estão a ser, os extraordinários momentos de mobilização e solidariedade que a sociedade portuguesa mostrou ao longo destes dias. A si própria e ao mundo. Portugal levou com um estalo vindo do outro lado da Terra e acordou. Nas ruas, nas igrejas, nos meios de comunicação social, na Internet, nos corredores da diplomacia, a determinação e o dinamismo revelam-se exemplares. Fica para a história.

Os maus da fita já toda a gente os conhece. Um presidente precário e refém de uma República em farrapos. Os lamentáveis generais e generaletes indonésios com perigosas doses de concentração de chumbo no cérebro. Uns Aitarak reduzidos à condição de bestas descerebradas e cruas com catanas nas mãos. Um ministro dos Negócios Estrangeiros com a credibilidade do «Ratinho». «Prendemos seis pessoas em Díli...»

Mau, mau, está a ser ver um Conselho de Segurança (segurança?) dúbio, hesitante, inoperante, frouxo. Dizer que tem dois pesos e duas medidas a toque de caixa dos EUA é dizer muito pouco. Por falar nisso, alguém viu por aí o Tony Terceira Via?

Por fim, os idiotas. Ou melhor, aqueles que, não querendo fazer figura de «idiotas úteis», acabam por superar a do urso.

É possível descortinar, assim de repente, dois em risco de se encontrarem na terrível e pouco confortável condição de perfeita utilidade idiótica: Ali Alatas e aquela bizarra criatura insular que tem assento no nosso Conselho de Estado.

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