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A banda do cidadão

Bastos Helder Bastos, 24 de Julho, 1999

Tal como havia acontecido com a morte da princesa Diana, o acidente que vitimou John Kennedy Jr. despoletou uma enorme onda de reacções na Internet.

Cidadãos sem acesso ao tempo de antena dos outros «media» puderam, uma vez mais, manifestar-se livremente, sobretudo em grupos de discussão em tempo real, alguns dos quais promovidos por edições electrónicas de diários tradicionais.

No âmbito dos debates à volta do jornalismo, muito se tem falado e escrito sobre esta nova possibilidade de o utilizador comum da rede mundial poder aí publicar, de simples desabafos a textos aprofundados, o que bem entender, sem qualquer tipo de restrições.

Esta é uma tendência que tem vindo a consolidar-se, a par do crescimento da própria Internet. Os consumidores de notícias estão a transformar-se em fornecedores das mesmas.

Ora, como bem assinala Walter Bender, director associado do laboratório de «media» do Massachusetts Institute of Technology, isto não significa que estes consumidores de notícias passem a competir com os jornalistas do «New York Times» e de outros jornais prestigiados. Significa, sim, que vão tornar-se «parte do processo de contar estórias de uma forma que enriquece o discurso público».

Num futuro próximo, o jornalismo na Internet estará nas mãos de pessoas comuns, que nem sequer se vêem a si próprias como jornalistas. J.D. Lasica, um jornalista norte-americano que passou dos jornais de papel para a indústria dos novos meios de comunicação, acredita que no próximo patamar de evolução do jornalismo em linha os cidadãos vão mesmo actuar como redactores e editores.

Esta novidade é já observável em certas revistas electrónicas temáticas («zines») e em páginas pessoais inseridas em comunidades virtuais, como a GeoCities ou a Tripod.

Assim, será cada vez mais natural vermos, em casos com impacto internacional significativo como os de Diana e de Kennedy, os jornais e revistas publicados na Internet abrirem muito do seu espaço à produção própria dos leitores, bem como à interacção entre eles. Iremos assistir à consolidação do já denominado «jornalismo de comunidade»? Certamente.

Na rede, o jornalista deixará, portanto, de deter o monopólio do artigo, do comentário, da crítica e até mesmo da reportagem. Mas poderá manter e aperfeiçoar o da experiência, do rigor, da credibilidade e do profissionalismo.

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