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O Novo Continente

Bastos Helder Bastos, 17 de Julho, 1999

A Internet é uma revolução económica e social comparável à Revolução Industrial do século XVIII. Mas tem uma aceleração três vezes superior. Quem o diz, desta vez, não é Bill Gates nem José Magalhães. São sociólogos europeus do Henley Centre of Forecasting.

Este organismo das ciências sociais dedica-se a antecipar transformações de índole sociológica na Velha Europa. Umas das observações feitas sobre a velocidade das actuais mudanças assenta em dados concretos.

Em cada seis meses, 60 milhões de pessoas aderem à Internet. O correio electrónico ganha 10 a 1 ao correio tradicional. A rede mundial conseguiu 50 milhões de clientes em cinco anos, enquanto o computador precisou de 16 anos e a televisão de 13 para chegar aos mesmos números. Os dados são fornecidos pela empresa Cisco e foram recentemente citados no diário «El País».

As implicações da revolução digital em curso afiguram-se enormes nos âmbitos do trabalho, das empresas, das profissões, do consumo e mesmo do ócio.

Segundo os sociólogos do Henley Centre, a «revolução internauta» acabará com o clássico horário europeu de trabalho das 9 às 5. Isto é, os horários fixos deixarão de existir. Haverá uma mistura dos tempos livres com os tempos laborais. Flexibilidade, em tarefas e horários, será a palavra de ordem. Grande parte dos trabalhadores terá de mudar de emprego de dez em dez anos. Assustador?

Ao nível das empresas, prevê-se a continuação das fusões e aquisições entre gigantes dos negócios, especialmente em tudo o que envolva a área das novas tecnologias.

As compras via Internet deixarão de ser coisa predominante de homens. Esta é uma evolução que a classe política portuguesa devia seguir com particular atenção. Além disso, o acesso à rede, cuja penetração nos lares aumenta a olhos vistos, far-se-á através da TV, das consolas de vídeo, dos telemóveis, das agendas e dos frigoríficos. Até onde irá a imaginação desta gente?

A «nova sociedade» desconfia da autoridade e das instituições, sobretudo dos sindicatos, dos parlamentos e da imprensa. Pelas recentes sondagens vindas a público, o Henley Centre terá, por enquanto, de abrir uma excepção para Portugal no tocante aos jornalistas.

O povo digital prefere confiar, mais do que nunca, nas marcas que usa. A do banco, a do supermercado, a da camisa, a dos sapatos...

Observa o jornalista Javier Martín que a Internet está a andar tão rápido que, em certos aspectos, este estudo já passou à história.

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