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Arquivo Comunicarte
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Comunicarte
No bom sentido
Hélder Bastos, 5 de Junho, 1999
Devagar, devagarinho, a imprensa portuguesa lá se vai adaptando ao ciberespaço. Depois do tropeção inicial, dá sinais de que começa, finalmente, a perceber as novas águas em que se move. Se compararmos as actuais edições na Internet dos principais jornais com o que eram há três anos, as diferenças são, a vários níveis, notórias. O aspecto gráfico melhorou, embora fique ainda, nalguns casos, a desejar em relação a produtos congéneres produzidos noutros países da Europa. O espaço para a colocação de noticiário alargou-se substancialmente. É hoje possível consultar em linha suplementos temáticos de diversos tipos, algo que, regra geral, não acontecia quando, em 1995, os principais diários descobriram o novo filão telemático. Acresce que, entretanto, o acesso a material de arquivo foi expandido. A possibilidade de os leitores consultarem, remotamente, acervos revela-se um dos mais importantes serviços que os jornais electrónicos podem oferecer. Ou rentabilizar, conforme os casos. Ainda para mais num país onde muita gente, incluindo os jornalistas, tem de suar as estopinhas para chegar a material documental. Alargar o espaço de participação dos ciberleitores parece ter-se tornado, e bem, uma preocupação dominante. Eles podem dar a sua opinião sobre os temas fortes da actualidade, escrever notícias, conversar com outros leitores, enviar correio electrónico aos jornalistas e, mais recentemente, votar em inquéritos de opinião. «Acha que os cidadãos europeus deverão passar a pagar parte dos seus impostos directamente à União Europeia dentro de alguns anos?» Vote sim ou não. As percentagens de votação aparecem, de imediato, no ecrã. Com tudo isto, mudaram-se rituais de leitura. O utilizador da Internet pode agir, em tempo real, sobre os conteúdos. O ritmo de actualização do noticiário é que continua a ser o calcanhar de Aquiles geral. Num meio que possibilita o acompanhamento permanente dos acontecimentos, como acontece na rádio, a maior parte dos jornais contenta-se com apenas uma edição diária. Ou mesmo semanal. Mas o «Expresso», por exemplo, não demorou a perceber que não fazia qualquer sentido colocar informação em linha apenas ao sábados. Agora, dá notícias todos os dias. A título experimental. Até porque Pinto Balsemão acha que a Net não dá dinheiro. Tem razão. Experimentalmente, não dá. Profissionalmente, talvez.
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