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Bananas de guerra

Bastos Hélder Bastos, 1 de Maio, 1999

Esta semana, o mundo assistiu à disseminação de dois vírus de longo alcance e estragos profundos. Um, o "Chernobyl", saiu do génio computacional de Chen, um pirata informático de Taiwan. O outro, a que poderíamos chamar "Bananas", emergiu do talento de Narciso Miranda para o disparate ocasional.

Definitivamente, o planeta é um sítio cada vez mais perigoso. Basta um rapazola genial do oriente sentar-se ao computador e carregar na tecla "Enter" para que logo centenas e centenas de computadores se verguem ao seu poder de infecção.

O mais assustador destes vírus informáticos disseminados pela rede mundial Internet é a sensação que nos deixam de vulnerabilidade. Nem mesmo nas nossas casas estamos livres deste novo tipo de intrusão susceptível de destruir, num ápice, dados e informação acumulada ao longo do tempo.

Apesar de, na Jugoslávia, estarmos ainda a assistir a uma guerra pura e dura de «Apaches», «Tomahawks», bombardeamentos cirúrgicos e mortos civis «colaterais», há quem diga que as próximas grandes guerras serão travadas ao computador. As bombas serão trocadas por vírus digitais.

Os pilotos dos «F-16» por piratas sabichões como Chen. Eles bombardearão informaticamente os sistemas energéticos e de informação dos inimigos de forma a paralisá-los.

Como, cada vez mais, todo o funcionamento das sociedades desenvolvidas assenta em complexos sistemas informáticos, bastará atacá-los eficazmente para se conseguir pôr um país de joelhos.

Ora, é precisamente de joelhos que muitos autarcas gostam de ver os jornalistas. Narciso Miranda relembrou-nos isso mesmo, há poucos dias. Como que infectado por um vírus alérgico aos escribas que ousam chamar a Matosinhos «República das Bananas», a propósito de mais um daqueles concursos paroquiais que desafiam a lei da gravidade e põem neurónios saudáveis em estado comatoso, o autarca lá desfiou a cassete do «vou até às últimas consequências» e da «honra ofendida» e outras frases batidas do costume.

O melhor mesmo é os autarcas actualizarem os manuais de cabeceira. De modo a acertarem o passo com as metodologias de ponta na guerrilha com a imprensa. Também aqui as coisas mudaram muito nos últimos anos. Apesar disso, ainda não dá para fazer desaparecer os jornalistas incómodos carregando na tecla «Delete» do computador.

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