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Comunicarte
Bloco de notas II
Hélder Bastos, 27 de Março, 1999
Guerra: Nada como o espírito da época pascal para lançar uns "tomahawks" sobre Milosevic. Os tempos que correm não são nem de fé nem de esperança. São de bom negócio para armamento moderno. E péssimos para quem tem por ofício informar os outros sobre o que se passa. A reacção geral contra os jornalistas no terreno da guerra é preocupante. O tempo é de expulsar os mensageiros. A cobertura informativa possível desta guerra vai ser muito interessante de seguir. Vamos, tal como aconteceu no Golfo, ser os últimos a saber das meias verdades? Vida: É de calcular que os senhores da guerra e respectivos peões não tenham ido ver «A vida é bela». Ou, se viram, não aprenderam nada. Como sempre. O filme de Benigni mostra-nos, de forma simples e comovedora, como a guerra pode ser comicamente trágica. Como os homens se podem transformar em caricaturas de si mesmos. Como teimam em não aprender absolutamente nada com os erros cometidos no passado. O mundo do cinema, que, por vezes, entra também nas suas teatrais guerras, deu duas estatuetas ao realizador/actor italiano. Benigni respondeu com um dos mais divertidos momentos de pura alegria na cerimónia de atribuição dos "oscars". Aquela gente não está habituada a tanta espontaneidade. Modernices: A história da Moderna cheira profundamente mal. O caso faz lembrar o saneamento básico das grandes cidades. Só se dá conta dele quando canos podres subterrâneos rebentam e os cheiros nauseabundos se misturam no ar com o chumbo da gasolina. Era bom um dia sabermos da história toda. Talvez aí fosse possível perceber melhor a razão de o ensino superior gerar tantas paixões súbitas. Comunicação: O primeiro congresso das Ciências da Comunicação está feito. Com tanta gente envolvida, era impossível não se registarem alguns problemas, como a falta de espaço nas salas e de tempo nas comunicações. No entanto, o encontro teve muitos méritos. Entre eles, o de juntar investigadores de vários países e especialidades para a troca de ideias. A complexidade das questões da comunicação contemporânea exige isto mesmo. Venha o próximo. Política: Continua divertida, como sempre. Aquela aliança cósmica entre a direita a flutuar e a outra de Jaguar leva muitos furos no pneu. Parece já não haver macaco com força suficiente para levantar a carroça e trocar de roda. Está na altura de Portas e Marcelo deitarem a aliança fora e experimentarem as delícias de viver em regime de união livre.
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