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O cabo dos canais
H�lder Bastos, 6 de Mar�o, 1999Tarde e a m�s horas, o pa�s prepara-se para ter televis�es regionais no ar. Primeiro, Lisboa. Depois, Porto. Para j�, por cabo. E a seguir? Provavelmente, vamos ter autarcas a imitar, ao melhor estilo paroquial, aquela personagem do Herman que se p�e em frente �s c�maras a dizer: �Eu, eu � que sou o presidente da Junta�. Na capital, o projecto vai mais adiantado. Um canal noticioso, a ser transmitido atrav�s da TV Cabo, est� em prepara��o h� v�rios meses. Ir� arrancar com alguns percal�os na sua curta hist�ria. Um dos mais interessantes foi ver Vicente Jorge Silva bater a porta com estrondo, deixado os bigodes de Gra�a Bau, o homem do cabo, algo petrificados pelo �cido cr�tico. No Porto, o S. Jo�o poder� ser padrinho de baptismo de um canal de caracter�sticas id�nticas ao de Lisboa. O Canal Porto dever� arrancar em Junho. No estudo preliminar do projecto diz-se que n�o se trata de �um canal bairrista contra Lisboa�. �, convenhamos, ret�rica curiosa para um estudo de car�cter t�cnico. Subjazem por ali indicadores sociol�gicos nada desprez�veis. Ser� que o estudo do novo canal alfacinha tamb�m diz algo do g�nero: �A TV Lisboa n�o pretende ser qualquer afronta ao Porto�? Os dias seguintes a ambos os partos televisivos, no entanto, � que merecer�o toda a nossa aten��o e escrut�nio. � sabido que os media, e em particular as televis�es, s�o fonte de fasc�nio e estrat�gia, sobretudo para os pol�ticos. Os nacionais h� muito deixaram de o disfar�ar e pelam-se por uma escapadinha de trinta segundos nos telejornais. Os homens de estado regionais e locais disfar�am ainda menos. Quando as r�dios locais apareceram, foi o que se viu. Boa parte delas passou, num �pice, de local a aut�rquica. Ora, transformar os novos canais noticiosos regionais em "passereles" de vaidades pol�ticas, futeboleiras ou quaisquer outras de inspira��o provinciana � tenta��o a evitar. A todo o custo. O papel social que aqueles �rg�os de comunica��o poder�o cumprir no contexto das suas regi�es � demasiadamente importante para ser esvaziado por eventuais devaneios estreitos. �-o ainda mais no Porto (pena que n�o sejam abrangidos outros pontos do pa�s), pois todos os canais nacionais, incluindo a RTP, concentram ainda o grosso dos seus meios t�cnicos e humanos na capital. E a l�gica de cobertura noticiosa parece, infelizmente, n�o escapar a esta concentra��o.
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