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As m�quinas do tempo

Bastos H�lder Bastos, 13 de Mar�o, 1999

A d�cada que agora termina tem sido particularmente exigente para com o jornalismo dos pa�ses mais desenvolvidos. O mundo parece mudar cada vez mais depressa. Social, pol�tica e economicamente, as sociedades complexificam-se a n�veis inimagin�veis. A catadupa tecnol�gica obriga a reciclagens profissionais e pessoais constantes. O mundo j� n�o � o mesmo, tamb�m para os jornalistas.

� curioso notar que, provavelmente, nunca na hist�ria do jornalismo se falou tanto, como nos �ltimos dois ou tr�s anos, na hip�tese de a profiss�o passar � hist�ria. Partindo do princ�pio de que os novos meios de comunica��o, Internet e companhia, v�o permitir �s pessoas terem a informa��o na ponta dos dedos � hora que quiserem, da forma que quiserem, alguns respeitados autores, de veia a tender para o catastr�fico, andam a tocar um requiem pelo of�cio de informar.

Na pr�tica, no entanto, os sinais v�o arrepiando essas projec��es. O jornalismo parece estar a querer dizer � hist�ria que j� topou as novidades e est� a� para as curvas. Os profissionais v�o incorporando as novas tecnologias, incluindo a "amea�adora" Internet, nas suas pr�ticas e servem-se delas para melhor cumprirem a sua arte. As empresas do sector fazem o mesmo. Aproveitam o novo canal para difundirem os seus conte�dos, e, nalguns casos, para fazer uns trocos.

Ainda h� dias, a revista "Editor & Publisher" dava conta dos resultados de um estudo, da autoria de dois acad�micos norte-americanos, sobre a presen�a da rede nas redac��es norte-americanas. Nota saliente: a utiliza��o do novo meio tornou-se, naquelas paragens, rotina di�ria na generalidade dos media.

Trabalhos feitos noutros pa�ses v�o dando conta de id�ntica tend�ncia. �Agora somos todos "nerds"�, titula, numa edi��o recente, a revista de jornalismo da Universidade de Columbia. Costuma chamar-se "nerds" a determinados craques que tratam o computador por tu e percebem � brava daquilo. Ora, o que est� a acontecer aos jornalistas, segundo os autores do artigo, � que tamb�m eles est�o a ficar um pouco "nerds".

Nas redac��es portuguesas j� se encontram alguns. S�o poucos, mas, a pouco e pouco, v�o contagiando os colegas com as vantagens da pesquisa tem�tica na Internet ou da utiliza��o do correio electr�nico para contacto com fontes.

Tamb�m por c�, os homens e mulheres das letras est�o a passar da fase do estranhar para a do entranhar as novas m�quinas do conhecimento. Mas, at� porque nem tudo s�o vantagens, o melhor � mesmo conhecer bem o terreno que se pisa. Quanto mais n�o seja porque � virtual.

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