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Comunicarte

Pol�ticos digitais

Bastos Helder Bastos, 1 de Julho, 1995

O leitor gostava de poder criticar directamente a decis�o de um governante? De fazer perguntas inc�modas ao l�der da oposi��o? De lhe escrever uma carta e obter resposta ao fim de alguns segundos?

At� h� bem pouco tempo, estas possibilidades eram pura miragem. At� que os pol�ticos, um pouco por todo o lado, come�aram a despertar para um instrumento que lhes permite estar mais pr�ximo da sensibilidade dos eleitores: a Internet.

Esta rede de redes de computadores, que agrupa mais de 30 milh�es de utilizadores em todo o Mundo, permite hoje p�r os pol�ticos a responder, n�o s� �s perguntas dos jornalistas, mas �s dos pr�prios eleitores, aumentado as possibilidades da participa��o destes na vida pol�tica.

Em Londres, os pol�ticos de Westminster j� t�m um programa na BBC atrav�s do qual respondem a quest�es colocadas por eleitores que utilizam correio eletr�nico. Atrav�s de programas inform�ticos pr�prios, podem mesmo "falar", em tempo real, com os pol�ticos.

Os partidos, por seu lado, v�o colocando na rede os seus programas eleitorais, as listas dos seus membros, boletins de inscri��o e dados sobre temas diversos.

Contactado atrav�s da Internet, o deputado Jos� Magalh�es diz que a comunica��o atrav�s do chamado "ciberespa�o" � ainda um pouco estranha para muitos pol�ticos. No entanto, considera que eles acabar�o por se habituar "como se habituaram a ir a manh�s radiof�nicas interactivas e debates ao vivo".

O deputado socialista, autor do "Roteiro Pr�tico da Internet", lembra que a maioria dos pol�ticos portugueses recebeu educa��o "para uso dos utens�lios de conhecimento da era pr�-digital". Neste momento, v�rios especialistas est�o a trabalhar para tornar mais simples a troca de mensagens electr�nicas entre pol�ticos e cidad�os.

O partido de Jos� Magalh�es "entrou", h� dias, na Internet e est� a desenvolver um sistema que permitir� um contacto individualizado com os respectivos deputados. "Os eleitores n�o s� v�o aderir como exigir mais", acredita o deputado.

Muito se tem discutido sobre o alcance e as implica��es da que j� � conhecida como a "democracia on-line". Os mais c�pticos acham que o fen�meno � limitado e algo elitista, porque acess�vel apenas a quem tenha um computador e o resto da aparelhagem de liga��o � rede. Est�, portanto, fora do alcance de milh�es de pessoas.

Alguns futuristas, no entanto, sonham com o dia em que qualquer cidad�o poder� votar em casa, atrav�s do seu computador, comprado ao pre�o da chuva.

Entre estes sonhadores poder-se-� incluir o vice-presidente dos Estados Unidos. Al Gore fez das "auto-estradas" da informa��o um tema forte da campanha presidencial de 1992. Prometeu a constru��o destas super vias, �s quais teriam acesso os eleitores. Gore e o presidente Clinton podem, hoje, ser contactados por correio electr�nico.

Uma das ideias destes governantes parece ser a de dar cabo de uma ideia feita, segundo a qual os governos, nomeadamente o de Washington, est�o demasiado alheados dos seus eleitores.

Reportando-se ao caso portugu�s, Jos� Magalh�es questiona: "Por que � que uma democracia do fim do s�culo s� h�-de usar a electr�nica para vigiar os cidad�os e n�o para inform�-los e abrir-lhes portas de participa��o?".

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