Ainda na passada quarta-feira, o ministro da Ciência e Tecnologia, numa intervenção feita na Exponor durante um encontro sobre a sociedade da informação, sublinhou que o Governo pretende baixar o preço da transmissão de dados através das redes telefónicas.
O resultado concreto seria uma redução drástica da conta telefónica mensal dos cibernautas lusitanos, que pagam hoje as tarifas mais caras da Europa pelo «luxo» de terem acesso a informação e entretenimento mundial. O monopólio inacreditável da Portugal Telecom no sector é uma das principais explicações para esta aberração.
A Telepac, por seu lado, promete "um dos serviços de acesso à Internet mais baratos da Europa" a partir de Junho e cobertura de todo de todo o país. A ver vamos.
Outro projecto importantíssimo previsto para o corrente ano é a instalação em 1600 escolas, públicas e privadas, do quinto ao décimo segundo ano, de computadores multimedia com acesso livre à Internet. Centros de formação, bibliotecas e centros de juventude também serão abrangidos.
A questão do custo da utilização da Internet, no meio de tudo isto, surge como factor crucial. Se as tarifas telefónicas não baixarem, isto é, se o acesso não fôr facilitado, os papás vão continuar a pôr as mãos à cabeça sempre que os seus filhos mandarem uma carta ao Pai Natal pedindo para pôr o «Netpac» no sapatinho. A ideia reinante é ainda: «Internet? E a conta do telefone?!» E contra este simples argumento não vale a pena acenar com espampanantes auto-estradas da informação.
Ainda durante 1997, teremos oportunidade de seguir o destino do chamado «Livro Verde para a Sociedade de Informação». Este documento, cheio de boas intenções dirigidas à escola, ao estado, às empresas, ainda não está pronto. Tem vindo a ser discutido publicamente, desde meados do ano passado, e será entregue, em Abril, à Assembleia da República.
Para já, a participação dos políticos na discussão é frouxa. No último de dois encontros, na Penha Longa, o deputado José Magalhães teve oportunidade de denunciar as ausências notadas de colegas seus. Por isso, vai ser interessante observar a orquestração dos deputados no tocante a este «Livro Verde», tendo em conta o facto de a maioria dos actuais políticos ser, como refere o autor do «Roteiro Prático da Internet», pré-digitais.
Como não se trata de futebol, viagens de borla ao estrangeiro ou aumento dos salários dos representantes do povo, é pouco previsível que o Parlamento venha a sair do seu habitual estilo «braço no ar e bocejo» quando se falar de Internet, multimedia, largura de banda, auto-estrada de informação, RDIS, «on-line», info-pobreza e outros conceitos alienígenas.
P.S. Por falar em conceitos alienígenas, Artur Albarran acaba de introduzir em Portugal uma nova modalidade jornalística. Chama-se «Limiar da realidade» e foi posta em prática no novo programa da SIC «Cadeira do poder». Situa-se algures entre a realidade e a ficção e tem como inspirador um jornalista francês, de seu nome Patrick Pauvre d'Arvor, famoso por ter forjado uma entrevista com Fidel Castro. Na linha desta nova modalidade, o JN está em condições de afirmar que os produtores da série «Ficheiros Secretos» tencionam fazer um espisódio no qual Albarran será estrela ao lado de Mulder e Scully. No final, Albarran, apesar dos protestos veementes de Rangel, acaba por ser levado para Plutão por um bando de extra-terrestres.