Serviços menos secretos

Hélder Bastos, JN, 7 de Março, 1998

Se o leitor estiver interessado, de repente, em saber afinal o que são os "serviços secretos" portugueses faça a seguinte experiência: telefone para um jornal, para uma rádio, para uma estação de TV, para uma biblioteca, ou para o próprio Serviço de Informações de Segurança (SIS).

A seguir, provavelmente depois de passar por meia dúzia de pessoas diferentes do outro lado da linha e tiver a sorte de alguém se dignar a responder, coloque as seguintes perguntas básicas: para que serve o Serviço de Informações de Segurança? Em que se distingue da polícia? O serviço é indispensável à defesa do Estado de direito democrático? Que garantias existem de que não pratica actos ilícitos?

Obter resposta a interrogações tão simples como estas por meios tradicionais pode revelar-se um sério quebra-cabeças para o comum dos cidadãos interessado em saber o que faz a "secreta" portuguesa para além de filmar, pouco discretamente, estudantes de rabo ao léu contestando propinas ou automobilistas em fúria entupindo pontes.

O SIS acaba de apresentar as suas páginas na Internet, a rede mundial de computadores. Lá, no endereço http://www.sis.pt, dá resposta, necessariamente oficial, à curiosidade mais elementar. O aspecto gráfico das páginas, apesar de simples, é bastante aceitável. A avaliar pelo número de visitas, que ontem iam em 1540, a curiosidade dos internautas em relação a este sítio é significativa.

Em termos de abertura, de postura e de esclarecimento, o passo dado pelo SIS é sem dúvida positivo. Qualquer cidadão tem o direito a uma informação clara sobre o que as instituições do seu Estado, democrático e de direito, fazem ou deixam de fazer. O SIS continuará a ser secreto, mas certamente menos secreto.

Na Internet podemos conhecer desde simples pormenores, como a data de nascimento do actual director do SIS, até aspectos abrangentes, como a história deste serviço estatal.

Estrutura orgânica, enquadramento jurídico, ligações a outros sítios da rede e uma extensa bibliografia sobre serviços de informações tornam estas páginas um ponto obrigatório de consulta para, entre outros, investigadores e jornalistas.

Esta ideia do SIS não é nova. Há já largos meses que a "secreta" espanhola tem casa montada na rede. A famosa CIA norte-americana tem barbas no ciberespaço.

Apesar de todos estes passos, no entanto, não tenhamos ilusões. As histórias nunca nos serão todas contadas.

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