Ao contrário do que possa parecer à primeira vista, não se trata de mais uma daquelas máquinas de jogos de vídeo, nas quais se põe a moedinha e se dá pontapés furibundos quanto ela informa friamente o jogador: "game over". Não. Trata-se mesmo de um quiosque, com a particularidade de estar ligado à maior rede de redes de computadores planetária, a Internet.
O primeiro contacto visual com o "bicho" pode ser desmotivante para os mais desprevenidos. "Quiosque? Mas onde estão os jornais e revistas? Só vejo o ecrã!" Certo. Mas do lado de lá do monitor, no ciberespaço, estão quase dois mil jornais (para já não falar nas milhares de revistas), escritos em dezenas de línguas, produzidos em dezenas de países.
Para os folhear e para, se quiser, enviar correio electrónico, conversar em tempo real com outras pessoas ou imprimir uma página qualquer do seu interesse, só tem de ter à mão o Porta-Moedas Multibanco. Depois de introduzi-lo na ranhura própria, o experimentador poderá "surfar" na Internet, esse tal meio acusado de ser só para a rapaziada endinheirada, ao preço de 15 escudos por minuto.
Pelo equivalente ao preço de um maço de cigarros Marlboro, 360 escudos, o utilizador do "Internet Kiosk", disponível, por exemplo, no "Via Catarina", no Porto, navega durante quase meia hora. Se já está farto de ouvir falar da Internet mas ainda não arranjou pachorra ou coragem para a experimentar, aqui está uma excelente oportunidade para o fazer.
A implementação de quiosques Internet em locais públicos é, por enquanto, uma gota no oceano no que concerne à democratização da rede. Todavia, o passo é significativo no sentido de tornar este valioso recurso informativo, formativo e lúdico, acessível a todos os interessados.
Se pensarmos bem, o comum dos cidadãos com vontade de experimentar o último grito em termos de novas tecnologias da informação tem hoje um verdadeiro batalhão de barreiras a ultrapassar. Comprar computador. "Mas eu não percebo nada de computadores!". Escolher o modem. "O quê?" Fazer um contrato com uma empresa fornecedora de acesso. "Com quem? E a conta telefónica?". Configurar o software. "Mas eu nem no comando do vídeo sei mexer, valha-me Deus!".
Para esta maioria alérgica à informática já se arranjaram vários nomes. O mais acertado talvez seja mesmo "info-pobres", por não terem acesso à riqueza informativa - a par de muito lixo e ruído, é certo - proporcionada pelas redes de computadores. Os quiosques Internet, que, num futuro próximo, serão instalados em hipermercados, aeroportos e outros locais muito frequentados, ajudam a diminuir esta exclusão informativa.
Dado estarmos a falar em democratização da informação, registemos duas boas notícias desta semana.
Uma: a Secretaria de Estado dos Assuntos Parlamentares abriu página na Internet. O grafismo é de fugir, mas a informação disponibilizada é útil: iniciativas legislativas do governo, intervenções na Assembleia da República, agendas, balanços das sessões, etc..
Outra: os beneficiários da Segurança Social vão, dentro de três anos, passar a saber exactamente a quantas andam. Através do Multibanco ou da Internet poderão consultar os seus processos bem como controlar os descontos a fazer pela entidade patronal, segundo nos revela o "Diário Económico".
Pronto. Afinal, são pequenos passos como estes que nos ajudam a entender melhor a tão badalada
Sociedade da Informação.