A adesão dos meios de comunicação social a esse novo meio chamado Internet tem sido feita a um ritmo perfeitamente alucinante. O mais recente inquérito elaborado pela empresa norte-americana "Newslink Associates", em parceria com a revista "American Journalism Review", aponta para a existência de 3.622 jornais, oriundos dos mais diversos países, na World Wide Web (WWW), a parte multimedia da rede.
Lá para o próximo Natal, poderão ser 4.000. O crescimento superou em nada menos que 80% as previsões mais optimistas feitas por especialistas do sector da edição electrónica. No entanto, eles prevêem para breve o abrandamento deste "boom".
Só nos últimos seis meses, e ainda segundo a "Newslink", 1.702 jornais deram o salto para o ciberespaço, apesar de, paralelamente, se ter assistido ao encerramento de uma centena de outros. Por ausência de lucros devida à falta de investimento dos anunciantes.
O facto de a lista de publicações electrónicas se ter avolumado tanto ultimamente deveu-se, em grande parte, ao facto de a Europa ter acordado da letargia em que se encontrava relativamente aos Estados Unidos. No Velho Continente, surgem agora à cabeça as empresas jornalísticas do Reino Unido, da Noruega e da Alemanha. Ao todo, são publicados na Internet 728 jornais europeus. Os Estados Unidos continuam a ser o país com maior número de produtos "online" e o que mais investe em meios humanos e técnicos nesta área.
Os números divulgados pela "Newslink" pecam por defeito. Haverá por esse mundo fora muitos diários e semanários, em particular regionais e mesmo locais, por registar nas estatísticas. Se pegarmos no caso de Portugal podemos confirmar isto mesmo. A empresa norte-americana indica apenas seis ("DN", "JN", "Público", "Jornal da Madeira", "Portugal News" e "Diário Insular".
Ora, se consultarmos as páginas do SAPO (Servidor de Apontadores Portugueses) verificamos que o número sobe de seis para 60, incluindo desportivos, regionais e temáticos. E mesmo assim este directório peca igualmente por defeito. Por exemplo, o semanário "Expresso", que já publica, e bem, parte do seu conteúdo semanal na Web, ainda não aparece no mapa.
Portugal também acompanhou, à sua escala, o aumento do número de publicações electrónicas. No "Comunicarte" de 9 de Novembro do ano passado, recorrendo ainda aos números do SAPO, dávamos conta de 39 jornais lusos, alguns dos quais produzidos em paragens tão distantes como Macau ou os Estados Unidos. Nessa altura, a Web tinha ao todo cerca de 1600, produzidos em mais de cem países.
No capítulo das revistas, a tendência foi também para o crescimento a passos largos. Por cá, passámos, no espaço de onze meses, de 55 para 80. Note-se, no entanto, que estes números englobam publicações de informação geral bem como outras dedicadas aos mais variados temas específicos, tais como computadores, indústria, medicina, música, viagens, etc..
Quantidade, como se vê, é coisa que não tem faltado. O mesmo não se poderá dizer da qualidade dos produtos disponibilizados no ciberespaço. A maior parte continua a repisar erros de palmatória. Como, por exemplo, limitar-se pura e simplesmente a copiar conteúdos produzidos para outros suportes, como o papel. Mas, felizmente, consolidou-se uma minoria cujo trabalho é estimulante. "CNN Interactive", "MSNBC", "The New York Times", "Chicago Tribune", "Daily Telegraph", "Wired" e alguns outros têm sabido tirar partido do potencial extraordinário da Internet. Para proveito de uma imensa minoria.