Ainda na semana passada fazíamos referência nesta coluna ao facto de, no sítio do Centro de Documentação 25 de Abril, podermos escutar músicas de Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira e outras vozes marcantes da Revolução dos Cravos. Trata-se de um pequeno arquivo sonoro histórico, disponível 24 horas por dia, consultável a partir de qualquer ponto do planeta. É exemplo a seguir. Em prol da democratização efectiva da informação.
Páginas outrora constituídas apenas por textos enfeitados com grafismos coloridos apresentam-se agora recheadas com excertos de som. Por vezes, também lá está o vídeo pronto a descarregar para o nosso computador. Não faltam exemplos.
No sítio do Futebol Clube do Porto, o jogador Domingos recebe os cibernautas com uma mensagem vídeo de boas-vindas. Além disso, enquanto se lê o editorial da revista "Dragões" pode-se ir descarregando o hino do F.C.P. . Na pior das hipóteses, ao fim de alguns minutos está pronto a ouvir.
Página do músico Pedro Abrunhosa. Clique-se no botão "Mediateca". É só escolher os excertos de música que quer ouvir do álbum "Tempo". Tem é sempre aquele inconveniente exasperante da espera: para 30 segundos de música temos de aguardar mais de um minuto e para 30 segundos de vídeo cerca de 11 minutos. Por estas e por outras é que a Internet ainda não é uma auto-estrada da informação.
Os pobres fios de cobre, habituados até há pouco anos a servirem apenas de canal ao blá blá das conversas telefónicas, viram-se de súbito invadidos por quantidades brutais de bits em forma de textos, sons e vídeos trocados por computadores espalhados pelo mundo inteiro. Melhores dias virão.
As páginas da Assembleia da República, neste aspecto, não são muito problemáticas. Almeida Santos dá-nos as boas-vindas apenas com texto e fotografia. E, já agora, no sítio do vice-presidente mais ciber do planeta, a Casa Branca? Al Gore também ainda não apostou no som. "Good Afternoon, welcome to the White House" em texto e chega.
A Rede Globo, do Brasil, já é mais colorida. Além de ajudar a eleger e derrubar presidentes, a cadeia de Roberto Marinho montou um sítio razoável na Internet. O cibernauta é recebido com uma curta apresentação gravada de Celso Freitas. Deve ser lá muito conhecido no Brasil este homem de poderosa voz radiofónica.
Rádio Comercial, a portuguesa. Foi a primeira rádio do país a emitir em directo 24 horas por dia na Net. E desde aí nunca mais parou. Tem diversas rubricas interessantes, como a conversação sonora em tempo real (audiochat), o trânsito filmado em certas zonas de Lisboa e um arquivo com sons. Entre estes encontram-se os relativos ao recente Congresso Internacional de Jornalismo de Língua Portuguesa, realizado em Lisboa.
A Comercial tem arquivadas muitas das comunicações lá apresentadas pelos participantes. O tema forte foi precisamente a relação entre o jornalismo e as novas tecnologias, com destaque para esse bicho de sete cabeças chamado Internet.
P.S. Hoje assinala-se o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Na Internet, a Associação Mundial de Jornais abriu uma página especial para este dia. No endereço http://www.fiej.org/ encontram-se, em francês, inglês, espanhol e alemão, detalhes sobre jornalistas encarcerados um pouco por todo o mundo, estatísticas sobre violações à liberdade de informar e artigos sobre a matéria. A organização Repórteres Sem Fronteiras, em http://www.calvacom.fr/rsf/, também disponibiliza bom material relativo à censura exercida sobre jornais e jornalistas. E elaborou mesmo um "top" com os 25 maiores inimigos da liberdade de imprensa. À cabeça surge Li Peng. O primeiro-ministro da China mantém 15 jornalistas presos no seu país.