Enciclopédias em linha

Hélder Bastos, JN, 22 de Março, 1997
Jornalistas, professores e alunos que tenham fácil acesso à Internet são uns sortudos. De dia para dia são colocados na rede novos produtos de extrema utilidade profissional. É o caso dos dicionários e das enciclopédias. Dois exemplos: o Dicionário da Língua Portuguesa Online e a famosa enciclopédia Britannica.

O Dicionário Online, da Porto Editora, permite ao utilizador da Internet pesquisar, gratuitamente, cerca de meio milhão de palavras, mais de 220 mil definições e 84 mil etimologias. Além disso, mostra a conjugação de cada verbo e reconhece os tempos verbais. Tudo isto no endereço http://www.priberam.pt/pages/dlpo/dlpo.htm/

Quando consultamos um dicionário de papel temos de fazer manualmente e por ordem alfabética a procura de uma palavra. Em linha ("online") basta escrever, numa pequena barra que aparece no ecrã, a palavra pretendida e logo aparece o respectivo significado.

Imagine que esta semana tinha assistido a uma discussão acalorada entre um ferrenho adepto do F.C. Porto e um ébrio fã do Manchester United de nariz avermelhado e ouvia a palavra "verdugo" lá pelo meio da contenda. Se mais tarde teclasse este vocábulo na página do dicionário "online" obteria imediatamente a resposta: "s. m. carrasco; algoz; espada sem gume que só feria na ponta; dobra na roupa; navalhinha delgada e pontiaguda; friso ao longo da borda do navio; rebordo existente no aro das rodas com a finalidade de as guiar sobre os carris; (fig.) pessoa cruel que dá maus tratos a alguém". Se a seguir quisermos conhecer palavras derivadas desta basta clicar na barra "pesquisar". Resultado: "açoitador, algoz, averdugar, saião".

Neste tipo de consulta, o princípio é sempre o mesmo: o computador ligado à rede faz o trabalho mais aborrecido por nós. E fá-lo mais rapidamente, excepto naqueles dias em que o modem (pequeno aparelho que liga o computador à linha telefónica) está mal disposto ou a rede parece a Ponte 25 de Abril em hora de ponta. Daí a necessidade imperiosa de a Internet evoluir para uma verdadeira "auto-estrada da informação", de preferência com asfalto de fibra óptica.

Para a consulta do Dicionário Online a Porto Editora ainda não cobra portagem. O mesmo fazem, por exemplo, os responsáveis pelo dicionário de inglês Roget's Thesaurus. Mas o cibernauta interessado em pesquisar no ciberespaço a enciclopédia Britannica já tem que fazer contas à vida.

A primeira edição da Britannica em papel saiu em 1768. Por certo, jamais terá passado pela cabeça dos seus fundadores que os actuais 32 volumes em papel pudessem vir a ser substituídos por zeros e uns e distribuídos pelo mundo inteiro através de uma gigantesca rede de computadores ligados entre si.

Na Internet, onde foi pioneira, chama-se "Britannica Online" e encontra-se no endereço http://www.eb.com/ A partir desta página de acolhimento tem-se acesso a 66 mil artigos, em inglês, e quatro mil imagens, com a vantagem de não roubarem qualquer espaço aos escritórios, salas de aula ou redacções.

Quem tiver dúvidas sobre as vantagens desta enciclopédia tem um período experimental de sete dias de borla. A partir daí, se quiser passar a ser utilizador regular desta fonte inesgotável de saber, terá de desembolsar, se for subscritor individual, cerca de dois contos por mês ou 22 contos por ano. Para bibliotecas, universidades e diversas instituições há condições especiais.

A utilidade deste género de produtos é a todos os títulos inegável. No entanto, para a maior parte das pessoas, é ainda muito difícil chegar a eles. Porque predomina a fobia técnica e cultural relativamente às novas tecnologias. Porque os computadores são caros e as telecomunicações pior ainda, nomeadamente em Portugal. E porque, no fundo, há enorme lentidão em perceber as mudanças em curso nesta era digital. 1

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