Correio electrónico

Hélder Bastos, JN, 21 de Março, 1998

Finalmente. Os quatro diários mais lidos em Portugal dão notícias todos os dias na Internet. Ao JN, DN e Público veio juntar-se, esta semana, o Correio da Manhã, com um trunfo de inegável atracção cibernética: postais electrónicos com mulheres nuas para mandar aos amigos.

De facto, esta tirada tablóide representa a maior novidade do CM em relação aos seus concorrentes no ciberespaço. Quanto ao resto, não é nada de especial. Aliás, se quisermos ir um pouco mais longe e partirmos do princípio de que um jornal digital não faz hoje grande sentido se não for interactivo, multimedia e actualizado constantemente ao longo do dia, o CM digital é apenas mais um a juntar às largas centenas que não aproveitam devidamente as potencialidades da rede mundial de computadores. Neste momento, cerca de 3600 jornais de todo o mundo têm a sua edição na rede e a esmagadora maioria comete os mesmos erros.

Em termos noticiosos, o CM electrónico, cujo endereço é http://www.correiomanha.pt, oferece um menu reduzido a Nacional, Internacional, Espectáculos e Desporto. Os títulos das principais notícias são-nos graficamente gritados com letras maiúsculas enormes, uma herança clara das manchetes do papel.

Outro erro de palmatória: não há separação entre os parágrafos, tornando a leitura ainda mais pesada do que ela já é no ecrã do computador. Os restantes elementos visuais cumprem. Há muita cor, fotos e algumas imagens animadas. Anúncios classificados também lá moram.

Por outro lado, não deixa de ser interessante a possibilidade oferecida aos leitores de subscreverem notícias à sua escolha para serem recebidas por correio electrónico. Esta tendência, uma variante simples da tecnologia "push", através da qual se "empurram" as notícias para o leitor, é definitivamente o que está a dar na Internet.

E pronto, o jornalismo digital português lá dá mais uma passinho, tímido e sem rasgo, quase três anos depois de o primeiro diário nacional ter apostado na Internet para uma actualização diária do seu noticiário.

Aliás, no fundo de uma página, o CM avisa: «Esta edição, especialmente desenvolvida para a World Wide Web, não substitui o jornal impresso nem faz a sua reprodução integral.» Pois. Não é carne, nem é peixe.

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