Quando olhamos para a forma como os "media" evoluíram desde o final da Segunda Guerra até aos nossos dias não é difícil encarar a época precedente ao grande conflito mundial como "pré-mediática".
Poucos anos após o fim da guerra, a televisão começou por generalizar-se para, posteriormente, obrigar outros meios, como os jornais, a rádio e mesmo a publicidade, a adaptarem-se às suas características e exigências. A "caixa que mudou o Mundo" mudou-o mesmo e deixou marcas profundas nos sistemas de comunicação.
Paralelamente, a lógica comercial foi tomando conta dos "media" com o consequente aumento da influência dos anunciantes. Desta tendência, que, nos dias que correm, se consolida de dia para dia, resultou um enfraquecimento da capacidade de controlo da opinião pública, através dos "media", por parte de certos poderes, entre os quais o político. Em Portugal, a evolução também é assinalável. Vão relativamente longe os tempos de controlo férreo e militante das redacções que marcaram o período pós-revolucionário.
Hoje, os jornalistas, muitos deles trabalhando em empresas novas, procuram afirmar os princípios do profissionalismo e da autonomia por oposição a uma cultura de servilismo acéfalo, nomeadamente em relação ao campo político. Isto não significa, no entanto, que tenham desaparecido do jornalismo português alguns hábitos deploráveis.
Os profissionais da Imprensa vêem-se, por outro lado, confrontados com a necessidade de terem em conta, dadas as características específicas das empresas jornalísticas, o peso do anunciante e a lógica de mercado.
Nesta lógica estão igualmente integrados os novos meios informáticos. Entre eles, as redes mundiais de computadores. Na maior delas, a Internet, a parte comercial já ultrapassa em muito vertentes tradicionais da rede, como a lúdica ou a académica.
Empresários de topo são vistos agora em conferências internacionais nas quais se tenta adivinhar a melhor maneira de fazer dinheiro e bons negócios na Internet. Até há bem pouco tempo, só lá apareciam os "maluquinhos" dos computadores e pouco mais.
Chegamos, pois, a um ponto em que a comunicação é mais uma questão de cifrões do que um alvo privilegiado de cobiça manipulatória. Significa isto que deixou de haver manipulações e tentativas de controlo? Segundo certas correntes do estudo da comunicação, não. Com o advento da chamada sociedade da informação, como nos diz Miquel de Moragas, não desapareceram os processos de controlo social. Eles apenas se transformaram, substituindo os antigos mecanismos de controlo pela homogeneização ideológica.
O dedo é apontado, em particular, aos grupos financeiros internacionais do sector da comunicação que, apoiados na lógica comercial, impõem os temas que mais lhes convem nos debates nacionais e internacionais.