Literatura. Fotografia. Vídeo. Pintura. Cinema. Música. Meios e artes da comunicação mudam-se de armas e bagagens para um novo espaço, conhecido pelo estranho e esotérico nome de ciberespaço. Teia por excelência de convergência de linguagens. Quem tem acompanhado a evolução da Internet nos anos mais recentes decerto se apercebeu do constante desembarque dos velhinhos meios de comunicação de massas no novo medium.
O cinema está na Internet com milhares de páginas oficiais sobre filmes, "sites" desenhados por fãs de Bogart, Dean, Stone ou Roberts, revistas especializadas, grupos de discussão acalorados e montanhas de outras coisas por descobrir. Pode-se ler livros inteiros no computador. Ver exposições de pintura ou fotografia em museus virtuais. Ouvir bandas sonoras originais. É um espaço gigantesco para qualquer tentativa de resumo.
Peguemos então num pretexto bastante simples. A página na Internet do filme "Basquiat", neste momento em exibição na Casa das Artes, no Porto (Nota: sala não conspurcada pela odorífera e contagiante cultura da pipoca).
O endereço http://www.miramax.com/basquiat/, correspondente à página de acolhimento de "Basquiat", pode dar uma grande ajuda a quem esteja completamente a leste desta obra.
Aparece-nos um fundo negro a contrastar com o título do filme bastante colorido e animado, alternando cores berrantes. Na base do ecrã as palavras «1996 Miramax Films» indicam que o filme chegou à Invicta com um atraso assinalável.
Página seguinte. Uma fotografia do actor principal, de cabelo à Bob Marley, na pele de Basquiat. Coisas sobre o filme? Mais um clique dá acesso a fotos e texto, em inglês, claro. Estreou em Agosto do ano passado, nos Estados Unidos, e fala sobre um artista que teve uma curta e fascinante carreira nos anos 80, passada no Soho, Nova Iorque. Basquiat de seu nome. "Mais do que a história de um grande artista e do seu tempo, Basquiat é um emocionante conto sobre a guerra entre o génio e a sociedade".
O realizador, Julian Schnabel, diz ter sido sua intenção contar a história de Jean-Michel Basquiat, de quem foi amigo, o mais fielmente possível. "Como tanta gente nova, Jean-Michel idolatrava artistas que viveram vidas trágicas. Ele acreditava na mitologia sobre Jimi Hendrix e Charlie Parker - não importa se estás a dar cabo de ti próprio, a tua vida foi o preço pago pelo teu talento." Podia aqui acrescentar-se nomes como Jim Morrison, James Dean e Janis Joplin, entre tantos outros. Basquiat passou muito rapidamente de ilustre desconhecido pintor graffiti a estrela retumbante do mundo artístico novaiorquino. Morreu de overdose aos 27 anos.
Pronto, em duas penadas de consulta, ainda quase sem ver nada sobre o que nos é oferecido na rede sobre este filme, ficamos com vontade de o ir ver. Será decepção? Um valente barrete? Valerá a pena ler críticos de cinema antes de ir? Talvez não seja boa ideia. Em boa verdade, a maior parte vê o cinema por um canudo.
Na página oficial de Basquiat ninguém dá duas estrelas ao filme, como é óbvio. Mas aqui podemos encontrar um sem número de informações sobre o elenco, que não é nada de se deitar fora. O actor/cantor David Bowie intepreta o papel de Andy Warhol e Dennis Hopper o de um negociador internacional de arte. Gary Oldman, Courtney Love, Christopher Walken e Willem Dafoe, que podemos também ver no filme que este ano rebentou com os Oscares, "O Paciente Inglês", são outros nomes sonantes dirigidos por Schnabel. O papel principal foi entregue a Jeffrey Wright. Ele estava a ter bastante sucesso como actor numa produção da Broadway intitulada "Angels in America".
Neste sítio da Internet pode-se ainda descarregar, quer fotos, quer excertos de vídeo relacionados com o filme. E se lhe apetecer ouvir um pouco da banda sonora respectiva também o pode fazer. Repare-se que este tipo de experiência multimedia não pode ser feita nos media tradicionais, como jornais e revistas, rádio e televisão.
Agora, mesmo antes de ir ver "Basquiat" ficou curioso. Que tipo de pintura terá levado este artista à fama? Simples. Basta fazer uma pesquisa na rede utilizando, por exemplo, as palavras-chave "Jean-Michel Basquiat". Como o motor de pesquisa HotBot aparecem 740 páginas. Algumas delas, nomeadamente as montadas por galerias de arte, permitem a visualização de reproduções de óleos de Basquiat. É o caso da Artseensoho, no endereço http://www.artseensoho.com.
Veja você mesmo. Sem pipocas.