Apenas nos últimos seis meses, foram criados três organismos ligados aos "media" e compostos por profissionais da Imprensa.
Anteontem, foi constituída, em Lisboa, a Confederação Portuguesa dos Meios de Comunicação. Trata-se de um grupo de pressão composto por proprietários e administradores de meios como a RTP, a SIC, a TVI e a RDP,mas do qual fazem parte ainda a Federação das Rádios Privadas e as associações da Imprensa diária e da não diária.
O que levou estas entidades a juntarem-se foi, segundo os promotores da iniciativa, criar uma frente comum que dê mais força ao sector da comunicação social portuguesa, tradicionalmente amarfanhada pelo Estado.
Os membros da Confederação querem ser ouvidos pelos poderes públicos sobre temas como a liberdade informativa, a igualdade de oportunidades e a concorrência.
Quanto a este aspecto, são conhecidas as divergências entre as televisões privadas e a RTP por causa, quer do acesso daquelas aos arquivos públicos de imagens, quer pelo financiamento desta por via governamental.
Âmbito diferente tem o Observatório da Imprensa-Centro de Estudos Avançados de Jornalismo, criado em Junho. Agrupa jornalistas dos mais variados meios de informação e tem como principal objectivo fazer com que os profissionais se juntem para reflectir sobre a qualidade da Comunicação Social.
Os "media" nacionais têm sofrido modificações profundas. O sector expandiu-se, a oferta de produtos aumentou e diversificou-se, a concorrência veio dar cabo de muitas rotinas instaladas, novos desafios éticos e deontológicos se colocaram.
No meio de tudo isto, e ao contrário do que acontece em outros países europeus, onde o debate à volta do papel dos jornais e da televisão é intenso, não houve uma reflexão generalizada, nem mesmo no interior da classe dos jornalistas.
Estes continuam a não ter um jornal ou uma revista que os aproxime destas questões, como os franceses têm a "Médiaspouvoirs" ou os norte-americanos a "Columbia Journalism Review", por exemplo.
Os responsáveis do Observatório tencionam vir a colmatar esta lacuna com a edição de uma revista especializada. Entretanto, já organizaram dois colóquios. Um sobre a Europa na Imprensa mundial e outro sobre as transmissões em directo, a propósito dos acontecimentos na Ponte 25 de Abril.
Por último, a 13 de Maio, em Lisboa, nasceu a Federação dos Meios de Comunicação Social da Igreja Católica, baptizada com o nome "Nova". Vista como mais um "lobby" na sociedade portuguesa, conta com cerca de 200 órgãos "de inspiração cristã", entre jornais, rádios, revistas, editoras e a TVI.
Nos seus estatutos, lê-se que os promotores querem, por um lado, contribuir para "a formação da opinião pública", e, por outro, promover o intercâmbio de profissionais.
Em Maio, Magalhães Crespo, autor da ideia da "Nova" e presidente da Direcção da acima citada Confederação Portuguesa dos Meios de Comunicação, disse que uma das batalhas a travar é a de exigir o cumprimento, por parte das rádios locais, da Lei da Radiodifusão. Outra, é reclamar que a exploração do segundo canal do Estado seja partilhada com a Igreja.
Anteontem, no entanto, Magalhães Crespo deixou cair uma frase ao mesmo tempo realista e contraditória: "A nossa força de pressão vai até onde for necessário e até onde nos deixarem".