Neste momento, segundo dados de uma empresa norte-americana, a Newslink Associates, existem 1600 jornais electrónicos na World Wide Web (WWW), uma das sub-redes da Internet mais atraentes, pois conjuga texto, som e imagem.
Nos Estados Unidos, onde a aposta das empresas jornalísticas tradicionais neste novo meio tem sido mais forte, a esmagadora maioria dos jornais metropolitanos já está disponível na maior rede de redes de computadores. Agora, é a vez de os diários e semanários de menor circulação se lançarem na aventura do ciberespaço.
As revistas também não quiseram ficar para trás. Os seus proprietários, oriundos de dezenas e dezenas de países, foram construindo espaços na Net e hoje é possível aos seus utilizadores folhear entre 1200 a 1300 revistas. Este número, note-se, inclui algumas publicações exclusivamente digitais, isto é, que não têm edição em papel. Se se alargar aqui o conceito de revista a outro tipo de publicações não especificamente jornalísticas, estaríamos a falar de qualquer coisa como 4500 locais na Web, tal como refere um dos donos da Newslink Associates, Eric Meyer.
Os canais de televisão têm sido mais lentos nos investimentos na Internet. Os seus responsáveis olham este novo meio com alguma desconfiança, quando não com certo desprezo. E fazem orelhas moucas a alguns gurus que garantem que, pouco depois do ano 2000, a Internet ultrapassará a TV em número de utilizadores.
Em Portugal, apenas a TVI e a RTPi mantém páginas abertas na rede. No capítulo dos jornais, incluindo diários, semanários e outros, o Serviço de Apontadores Portugueses (SAPO) tem registados 39. Este número inclui produções de portugueses em Macau e nos Estados Unidos.
O número de revistas é um pouco superior. Contam-se 55 neste momento. As estas podem ainda ser acrescentadas 28 outras edições electrónicas.
As rádios portuguesas têm entrado a um ritmo menos acelerado. Contabilizam-se apenas 13 no SAPO. Nalgumas delas, é possível ouvir som, através de uma aplicação chamada RealAudio.
Problema comum a boa parte dos media portugueses e estrangeiros presentes no ciberespaço é a sua complicada adaptação ao ambiente dos bits. Como refere Eric Meyer, copiam-se muito uns aos outros e inovam quase nada.
Outro ponto salientado por este consultor, e também professor de jornalismo e edição interactiva na Universidade de Illinois, tem a ver com os eventuais agentes de mudança neste campo. Ele espera que sejam jovensrecém-chegados ao negócio das publicações «on-line» a rasgarem os indispensáveis novos caminhos.
A escola de jornalismo da Universidade de Northwestern viu, este ano, 23% dos seus alunos formados serem contratados por empresas jornalísticas para trabalharem na Web. Meyer acredita nestes novos talentos para as inovações necessárias na área dos novos media.
O meio empresarial, por seu lado, dá sinais de não querer abrandar os investimentos ligados ao mundo digital.
O poderoso grupo norte-americano de comunicação Knight-Ridder, por exemplo, anunciou recentemente a intenção de investir a sério nos seus serviços informativos na Internet. Para isso dispôs-se a reduzir os lucros líquidos até 1998.
Num debate recente em Santiago do Chile, o conselheiro delegado do Grupo Prisa, dono do prestigiado diário espanhol «El País», pôs assim as coisas: «O futuro intelectual, industrial e comercial da imprensa escrita depende da sua adaptação às novas tecnologias e da sua incorporação no mundo digital.»