No sapatinho de muitos lares norte-americanos poderá cair, este ano, uma pequena caixa parecida com o leitor de cassetes de vídeo. Tem metade do tamanho e chama-se WebTV. A palavra Web (teia) refere-se à mais popular e interessante rede da Internet, o World Wide Web, onde se encontram jornais electrónicos, museus virtuais, páginas de empresas e muitos outros locais enriquecidos com texto, som e imagem.
Ora, esta rede só pode ser hoje utilizada pelos mais de 40 milhões de felizardos do planeta com computador ligado à Internet. A ideia dos fabricantes da WebTV é acabar com este privilégio dos craques do PC.
Você tem televisão em casa, odeia computadores e quando ouve falar na Internet entra em parafuso? Então é o candidato ideal à WebTV. Basta comprar esta caixinha, por um preço que ronda os 50 contos nos Estados Unidos, e aderir às páginas da Web, serviço que lhe custa mais ou menos três contos por mês.
A partir daí pode tornar-se numa espécie de cibernauta, nome dado aos utilizadores da Internet. No ecrã da sua televisão poderá dar um pulo à página da Casa Branca ou enviar mensagens electrónicas a quem tiver morada electrónica. A cantora Bjork ou o homem mais rico dos EUA, o sr. Bill Gates, podem ser contactados por «email». Se tiver tempo livre, mas mesmo muito tempo livre, pode surfar nas mais de 50 milhões de páginas da World Wide Web. Um aviso: este número cresce aceleradamente todos os dias.
Para pessoas pouco familiarizadas com o mundo da Internet isto poderá parecer muito. Para cibernautas experientes, sabe a pouco. Se alguém estiver habituado a beber Alvarinho ao almoço, decerto estranhará pinga a martelo.
A WebTV é um sistema limitado. Por enquanto, não permite imprimir as páginas visualizadas e só dá acesso a uma das partes, por sinal das mais interessantes, da Internet. Deixa de fora, por exemplo, os mais de 17 mil grupos de discussão em funcionamento na rede. Apesar disso, poderá constituir, para aqueles que não têm um computador pessoal, uma excelente porta de entrada nos meandros do ciberespaço.
Especialistas ligados à área das novas tecnologias estão já em campo para observar o comportamento das pessoas face à WebTV.
Verificam que os principiantes parecem não se assustar com o controlo remoto como se assustam com o rato do computador. O facto de a WebTV ser pequena e fácil de transportar ajuda também a quebrar o gelo entre a máquina e o utilizador.
Sob o ponto de vista do manuseamento, o maior trunfo do novo aparelho é não exigir conhecimentos de informática. «A WebTV é concerteza um grande passo para libertar a literacia da Web da literacia do computador. Os utilizadores que observei apreciam essa liberdade. Isso vai aumentar a audiência on-line», comenta Ray Niemeir, participante num grupo de discussão da Internet sobre o tema.
Por outro lado, o dispositivo permite leituras em grupo, algo mais complicado de fazer quando se utiliza o pequeno ecrã do computador. É mais fácil dizer ao resto da família sentada no sofá da sala: «Olhem para isto!». Mostrar, demonstrar, ensinar e mesmo comprar estará ao alcance de um maior número de pessoas.
Com estas e com outras, imagine-se o sapatinho de Natal digital de uma família do ano 2000 com bom poder de compra: leitor DVD para o pai, WebTV para a mãe, NetPC para o filho, TV de alta definição para a mana, capacete de realidade virtual para o sobrinho, computador de bolso para as gémeas... e um walkman dolby surround pro logic para o cão?