É assim: quando os meios de comunicação social «tradicionais» falam sobre esse «media» em expansão chamado Internet, teia planetária de milhões de computadores ligados entre si, têm a mania de agarrar sempre nos mesmos aspectos e, quase sempre, pela negativa.
Quem folheia um jornal ou uma revista e por acaso depara com uma prosa sobre o assunto tem enormes probabilidades de ser inundado com guinchos sobre pornografia à disposição das criancinhas, terroristas à solta na rede, como aquele maluco que explica aos cibernautas como se faz gás sarin, usurpadores de obras alheias, «hackers» destrambelhados do capacete e por aí adiante.
É evidente que um espaço virtual, sem qualquer centro de controlo, com mais de 30 milhões de utilizadores pode dar-se ao luxo de albergar tudo isto. Mas a rede está muitíssimo longe de ser apenas isto. Aliás, dada a sua extensão e complexidade, é difícil ter dela uma perspectiva total. Resultado: é muito fácil dizer asneiras.
Tendo consciência destes e de muitos problemas que aí virão, um grupo de escritores, editores e analistas de vários países juntaram-se para formar a Associação de Imprensa da Internet (AII), organismo sem fins lucrativos.
O objectivo destes carolas bem intencionados, entre os quais se contam especialistas de publicações de prestígio no meio, como a Byte, I-Way, Internet Life, Internet World, NetGuide e mesmo o Washington Post, é promover o rigor e a excelência na reportagem sobre e na Internet.
Ao mesmo tempo querem, por um lado, ajudar a combater o montão de asneiras que se dizem sobre o assunto e, por outro lado, alertar para aspectos importantes normalmente ignorados pelos novatos.
Os directores da AII consideram que a liberdade de Imprensa é ameaçada não só pelo governo, ou governos, mas também pela desinformação sobre o ciberespaço, resultante, em boa parte, da incapacidade de se saber onde ir buscar dados correctos e fiáveis.
Imagine-se a seguinte situação: o editor de um jornal pede ao repórter menos tecnófobo da casa para escrever um texto destinado a explicar aos leitores o que é essa moda da Internet. O repórter entra em pânico: «Mas eu não percebo nada dessa porcaria!»
Se o editor for competente e avisado pode aconselhar o jornalista a começar a sua busca de informações entrando em contacto com a Associação de Imprensa da Internet. Pode fazê-lo por correio normal ou por correio electrónico, já que aquele organismo tem uma página de acolhimento na própria Net. Já agora, o endereço é http://www.netpress.org/ipg/
Teclando no computador esta estranha combinação de letras e traços, pode, por exemplo, ficar a conhecer a história e desenvolvimento da rede. Além disso, terá acesso a um guia de estilo dos palavrões utilizados pelos cibernautas e poderá ficar a saber onde encontrar outros pontos de interesse para jornalistas. A ideia de criar esta associação é excelente e, ao mesmo tempo, bem sintomática da seriedade de toda uma série de novos problemas levantados pelo ciberespaço.
Apesar disso, a AII já tem atrás de si uma legião de torcedores de nariz, cuja refinadérrima sensibilidade a tudo o que cheire a controlo ou censura é bicho a abater com artilharia pesada.