Dantes, era fácil. Toda a gente sabia distinguir entre uma estação de televisão, uma rádio, um jornal, uma empresa de telecomunicações ou um fabricante de computadores. Hoje em dia é um pouco mais complicado, dadas as fusões constantes entre empresas diferentes. Fala-se abundantemente em grupos multimedia. A expressão «cada macaco no seu galho» perdeu completamente o sentido.
Assim, vemos empresas de telecomunicações no negócio da TV por cabo, rádios a apostarem em serviços por telefone, jornais investindo em versões electrónicas dos seus produtos, nomeadamente através da rede de redes de computadores Internet. Esta teia planetária de 30 milhões de computadores tornou-se numa espécie de paradigma do multimedia.
Lá se encontram os meios de comunicação tradicionais todos, mas com grandes adaptações. A conjugação do texto, da imagem e do som encontra no ciberespaço terreno fértil. E destina-se tanto ao entretenimento como à informação.
É precisamente aqui que entra o conceito de turbonotícias. Quando falamos de redes de computadores falamos de distribuição electrónica de informação a velocidades sem paralelo na história. Biliões de «bits», os átomos destas redes, circulam de país em país, de continente em continente, em micro-segundos. Se o volume é enorme, a velocidade é estonteante.
Os media tradicionais cedo se aperceberam deste trunfo. Por isso, a Internet está hoje pejada de jornais, revistas, páginas montadas por estações de rádios e TV e de outros produtos multimedia criados a partir do zero. Entraram todos no negócio das turbonotícias.
Mas, afinal, o que é isso de turbonotícias? Alguns autores definem este noticiário de alta «performance», para utilizar a gíria dos automóveis, como notícias ou informações difundidas à velocidade da luz, distribuídas sob forma escrita, oral ou visual através de fibras ópticas e às quais os utilizadores podem ter acesso imediato. Outra característica é a possibilidade de serem constantemente actualizáveis.
As realidades do multimedia e das turbonotícias marcam, pois, este fim de século. Conjugam-se para darem aos cidadãos mais informação em menos tempo e mais e melhor entretenimento com maior sofisticação. Com isto são criadas novas oportunidades, mas também lançados novos desafios.
Entre os desafiados contam-se os jornalistas. Qual será o impacto das turbonotícias no seu trabalho, quando se sabe que já hoje é muito complicado para eles aprofundar as suas pesquisas devido às pressões da hora de fecho dos jornais ou do sinal horário das rádios? Como será o seu comportamento quando a pressão aumentar para que reúnam e produzam informação em espaços de tempo cada vez mais curtos? O aumento da velocidade de distribuição da informação não exacerbará uma das tendências nos últimos anos, a da notícia curta, rápida, superficial?
Num âmbito mais abrangente, colocam-se outras questões. O cidadão com poder de compra médio poderá usufruir da televisão interactiva e digital, do CD-ROM, do computador pessoal ligado à Internet, do vídeo-a-pedido, da realidade virtual, da teleconferência e de outras maravilhas electrónicas. Haverá, portanto, um maior conhecimento do mundo que nos rodeia. Mas não será paralelamente agravado o fosso, em termos de conhecimento, entre ricos e pobres?
As pessoas, mesmo à distância de países, estarão cada vez mais perto uma das outras com as redes multimedia. A troca virtual de mensagens será alargada e sofisticada. Mas isso não irá levar, como diz Jim Willis, autor de «The age of multimedia and turbonews» («A era do multimedia e das turbonotícias») à crescente «tecnificação» e eventual desumanização das pessoas com a sua consequente redução a números em imensos bancos de dados?