Vamos voltar no tempo um pouquinho, cerca de seis meses. Vamos falar
sobre questões diplomáticas (econômicas) entre países.
Os Estados Unidos queriam invadir novamente o Iraque, pois Sadam Russein
não queria mais manter o tratado que anteriormente cumpriu com a
ONU- ou melhor, com os E.U.A. Já haviam bases americanas posicionadas
nas fronteiras do Iraque, à espera da ordem de invasão.
O governo sabia que outra invasão ao Iraque abalaria a opinião
pública. Passou então a usar outro método- tentaria
jogar argumentos contra a oposição e, com isso, eliminar
os contras. Assim ninguém mais teria motivos para chiar.
Foi armado um debate transmitido ao vivo pela t.v., onde os homens
do governo se colocavam no centro e vários setores da sociedade
(jornalistas, estudantes, políticos,...) ficavam numa arquibancada
ao redor deles. O debate então começou. O governo manteve
no início um certo controle da situação, mas depois
de certo tempo, a sociedade passou a mandar na discursão. Com o
tempo, começava a bagunça, gritaria, xingamentos. Acabou
que os agentes do departamento de estado americano perderam totalmente
o controle da situação, permaneciam calados e o debate acabou
sendo interrompido. Saldo final: a invasão não foi efetuada
e um artifício que supostamente ajudaria a política de guerra
americana foi por água a baixo.
Bem, mas onde eu quero chegar? Isso tudo que disse não teria sentido se não tivesse notado, no meio das pessoas que lá estavam contra a guerra, um grupo de jovens, que no meio da confusão gritavam em coro: "one, two, three, four- we don't want your fuckin' war!" (slogan cantando em coro no final da música 'Como deve se sentir uma mãe de mil mortos?'). Um deles estava com um casaco com o emblema do CRASS. A banda acabou há quatorze anos, mesmo assim não foi esquecida. Os jovens não eram punks, deveriam ser estudantes. A idéia central que a banda sempre teimou em mostrar não foi abandonada como acontece sempre no nosso mundo moderno- muito pelo contrário, foi assimilada e usada pela causa exatamente proposta. Talvez oque esses jovens fizeram no debate não tenha influenciado em nada, talvez nem tivessem sido notados. Mas a mensagem foi dita, e se alguém dos oito membros da banda assistiu, deve ter se sentido muito orgulhoso.
CRASS é a banda que não pode ser esquecida. É um
exemplo de perseverança e vontade, é o entusiasmo necessário;
é o que mostra ser tudo possível. Eles deram tudo nisso,
e cabe a gente continuar o caminho. Nunca é tarde, sempre é
hora. Foi a melhor de todas que se propuzeram levar a mensagem de consciência
de liberdade à musica pop. Se existe o punk político, o rock
realmente alternativo, a música verdadeiramente underground, é
exclusivamente por causa do CRASS.
O rock sabe disso...