Torpedos: política, imprensa e cotidiano de São Carlos tratados o humor
merecido
Ritmo de carnaval
Terminado o carnaval a expectativa é que as
coisas voltem a se agitar na cidade. Mas não antes que os políticos possam ter o
merecido repouso pelo estafante trabalho do final de semana prolongado.
Contagem regressiva
Passou a primeira semana de março sem que se
tenha sequer algum sinal de que o eterno candidato tucano, Paulo Altomani, irá cumprir a
promessa feita pelos seus "aliados" de assumir a Prefeitura.
Racha
O PT continua inspirado procurando algum meio de
tirar do caminho a vereadora Julieta Lui.
Duas chances
O partido tem duas chances, uma a exclusão da
vereadora pelo não pagamento das mensalidades, outro pelo processo movido pelo
Ministério Público contra diversos vereadores da legislatura 89-92.
Rival
O cálculo do PT é que sem Julieta no páreo
será mais fácil eleger alguém mais dócil às determinações partidárias. Em outras
palavras, alguém que aceite ser mero coadjuvante no espetáculo petista.
Contas
Se os petistas tivesse o hábito de fazer contas
não se empenhariam tanto nesta tarefa. Sem os 1676 votos de Julieta na eleição passada
o PT teria apenas 4.663 votos, portanto elegeria apenas um vereador.
Antecipação
Mas os petistas nunca pensam sobre isto,
imaginam que os votos para o partido irão cair do céu graças a outras candidaturas e
que o partido fará uma bancada de pelo menos 4 vereadores, mesmo sem Julieta. Há quem
pague para ver.
Dois pesos
Justamente algumas lideranças petistas que
acusam Julieta de vazar para a imprensa - leia-se Primeira Página - informações sobre
as infinitas e infindáveis rixas internas do PT são os primeiros a espalhar
informações sobre a vereadora.
Contrapeso
Há outro problema resultante de uma eventual
expulsão de Julieta. Ultimamente a vereadora tem suprido bem o papel de adversária de
todo mundo e com isto tem garantido uma relativa paz entre as outras facções petistas.
Contrapeso II
Sem ela como inimigo comum é questão de dias
para que um grupo volte a brigar com o outro, como sempre.
Encruzilhada
Mas não é só o PT que vive seus problemas
internos. O PMDB ainda não digeriu o "Escândalo da Champanhe" e a coisa por
lá está confusa. Não faltam, por exemplo, lideranças partidárias que prometeram apoio
aos dois lados da briga.
Sine die
A esperança do partido é que a poeira abaixe
antes que uma próxima reunião do partido se torne inevitável.
Providências
Por falar na história da champanhe, a única
medida concreta até agora foi que o vereador João batista Muller (PMDB), incapaz de
controlar seu gabinete, resolveu transferir o assessor para uma sala privada próxima à
Câmara onde os acontecimentos tenham menos repercussão.
Seguro-desemprego
Conforme as eleições vão se aproximando a
crescente proporção de políticos profissionais vai se desesperando com a possibilidade
de derrota que os obrigue a voltar ao mercado de trabalho procurando uma ocupação útil.
Bem feito
Já dá para imaginar a cena, o indivíduo bate
na porta de uma casa e se anuncia: "Sou candidato a vereador". A moradora
responde: "Bem feito, quem mandou não estudar!".
Desvio
É realmente lamentável que, com raras
exceções, disputem cargos políticos justamente pessoas que não conseguiram obter
sucesso em nenhuma outra atividade na iniciativa privada nem tenha administrado em sua
vida sequer uma quitanda.
Desvio II
Ninguém entregaria a construção de sua casa a
um engenheiro que nunca construiu nada, nem iria submeter-se a uma operação delicada com
um médico inexperiente formado em algum curso suspeito. Tampouco faria uma longa viagem
com um motorista que nem carta de motorista tivesse.
Risco
Mas o eleitor entrega de bom grado o poder de
tomar decisões sobre o futuro da cidade a pessoas despreparadas por motivos dos mais
fúteis.
Castigo
Vale dizer que muitos dos eleitos não só não
sabem nada sobre administração pública como nem querem saber e tem raiva de quem sabe.
O tanto que a idéia de uma Escola de Vereadores foi maltratada, por sinal, demonstra isto
muito bem.
Piadinha de hoje
"O maior orgulho dele era sua prole: seis
filhos! Vivia tão cheio de si que passou a chamar a mulher de "Mãe-de-Seis",
apesar dos protestos dela, que odiava o apelido.
Uma noite, no aniversário de um amigo, ele grita para a mulher, do outro lado da sala
cheia de convidados:
- Vamos indo, Mãe-de-Seis?
Furiosa, ela dá o troco:
- Agora mesmo, Pai-de-Quatro!"
Pensamento do dia
"Não há herói para seu criado de
quarto" (Montaigne)
São Carlos, Segunda-feira, 03 de Abril de 2000
Alexandre Gomes é articulista do jornal
Primeira Página de São Carlos (SP)