Sobre os subsídios da UE:

Não penso que algumas ideias que surgem de que só sabemos pedir subsídios, que somos subsidiodependentes, de que andamos às esmolas da UE, etc., sejam muito correctas.

1. Não devemos esquecer que, quando entramos, a CEE já existia há 30 anos, durante os quais os outros países foram largamente subsidiados.

2. Muitos dos subsídios que vieram não interessavam (não interessam) nem ao menino Jesus.

Foram subsídios para não produzir, para abater barcos, deixar terras em pousio, etc..

Estes subsídios foram, é certo, um chorudo negócio para a cáfila que nos governava e ainda governa (refiro-me principalmente às sanguessugas que, seja com o PSD ou com o PS, pululam nos bastidores dos corredores governamentais).

3. Uma parte dos subsídios concedidos permitiram avançar mais rapidamente com todo um conjunto de infra-estruturas, principalmente, as vias de comunicação.

Anote-se, no entanto, que estas têm dois sentidos, isto é, com elas é mais fácil aos exportadores dos grandes países chegarem ao nosso mercado.

Mais do que se ter aberto um mercado de 300 milhões para Portugal, foi um mercado de 10 milhões que se abriu para os países da UE (CEE).

4. Alguns dados indicam que cerca de 40% dos subsídios concedidos retornam aos grandes países por via das importações que fazemos.

5. Finalmente, não se esqueça igualmente que Portugal também contribui para o orçamento comunitário.

E que, do ponto de vista relativo somos dos que mais contribuem!

Surpreendidos? Então sigam-me: Da riqueza que, em termos médios, cabe a cada português (o PIB per capita) 1,17% destina-se aos cofres do orçamento comunitário.

Acham pouco? Pois bem, em média cada europeu apenas contribui com 1,09%;

cada inglês apenas com 0,77%;

cada espanhol apenas com 1,13%;

cada francês apenas com 1,12% ...

Resumindo, em termos comparativos, os portugueses, apesar de serem os mais pobres, são dos que mais contribuem para o orçamento comunitário, com uma contribuição igual à dos austríacos.

E à frente de 9 países - Espanha, França, Finlândia, Grécia, Irlanda, Dinamarca, Suécia, Itália e Reino Unido - e apenas atrás de quatro: Holanda, Bélgica, Luxemburgo e Alemanha...

Não acham que está na altura de alterar o que geralmente e erradamente se diz da nossa "subsidiodependência"?

Nota: A seguir se indicam os dados, recolhidos junto do PCP, que serviram de base a este texto.

Tabela Gráfico

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