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| 16 de Junho de 2000 |
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De facto, também é foleiro
Isto lê-se numa página de jornal. Em jeito de editorial, sob o sugestivo título "Ficou a CGD, até ver...". Mais adiante, no mesmo periódico, pode ler-se: "Desde o debate do Orçamento de Estado de 2000 que todos sabemos que o Governo vai vender património imobiliário. Ao todo, serão, para já, cem edifícios. (...) Meu caro leitor, isto é o caos. O despesismo desta gente chegou ao ponto de já estarem a vender o património de todos nós. (...) Se o Governo não for capaz de inverter rapidamente a linha de rumo que tem vindo a seguir, o País tem de encontrar uma solução, porque eles, em pouco tempo, rebentam com isto tudo, por muitos e bons anos." Os leitores mais críticos sobre as minhas opiniões políticas estarão, nesta altura, a fazer um comentário ácido: "Lá está este... Francamente, citar o Avante!..." Pois não! Estas contundentes críticas à política económica do Governo não são provenientes daquelas visões imobilistas e estatistas sobre a vida dos países e dos povos que, diz-se, marcam o PCP. Não resultam da pena de pensadores que recusem as bondades da economia de mercado, o dinamismo da concorrência, as conveniências da acumulação e do lucro. Não. As transcrições acima reportam-se ao suplemento de "Economia" do Público da passada segunda-feira e são assinadas por nomes relevantes: quem chama "foleiro e novo-rico" ao trabalho do ministro Pina Moura é o editor do referido suplemento, o jornalista Pedro Camacho, e quem parte de bandeira desfraldada contra a venda de prédios e quartéis decretada pelo mesmo ministro é o deputado do PSD Rui Rio. E, afinal, como é? O deputado Rui Rio não pertence ao mesmo partido que apoiou um Governo presidido pelo prof. Cavaco Silva, que, entre outras vendas, teve uma ministra da Saúde que quis passar a patacos imobiliários o Hospital de Júlio de Matos? É facto que o Governo PS se precipitou ao querer vender o quartel do 11, em Setúbal, que afinal já estava atribuído para outros fins - mas, nisto, o que conta é a intenção... E, conforme se sabe, a governação cavaquista não alienou nem uma pepita do que o dr. Rui Rio tão apropriadamente designa como "o património de todos nós"! Ele foram só umas empresazitas, uns bancozitos, coisa assim, pouca. E o Público? Claro que se dirá que está contra o "falso liberalismo foleiro e novo-rico", ao passo que é deveras favorável ao verdadeiro liberalismo, requintado e com riqueza de raiz. São opções. Mas, como me escreveu um bom amigo, "ainda um dia se há-de fazer a história de como em grande parte se fez esta acumulação de capital nos grandes grupos através do saque das privatizações. Tanto paleio contra o "Estado", e só pela intervenção do Estado é que se apropriaram de tanta coisa". De facto, é foleiro. Mas, no essencial, é um crime. Ruben de Carvalho escreve neste espaço às sextas-feiras
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