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A Capital Europeia da Cultura realizar-se-á em ano de eleições autárquicas. Ora, o PS no Governo terá de enfrentar nos próximos quatro anos duas batalhas eleitorais: as presidenciais e as autárquicas. Se não houver alterações que o panorama não faz prever, é difícil que as presidenciais suscitem grandes perturbações. O que parece plausível é mesmo que seja no PSD que elas determinem maior agitação, que de resto se prenuncia já na interminável luta pela liderança dos sociais-democratas. O facto de estar no Governo, com o que tal significa de possibilidades de manipulação eleitoralista dos recursos públicos (prática em que os socialistas sempre revelaram assinalável diligência e total ausência de escrúpulos), os resultados das últimas autárquicas e a situação interna do PSD, constituirão em princípio outras tantas razões para que no Largo do Rato se tenda a viver um clima de excesso de confiança para o escrutínio de 2001. Mas é indispensável não esquecer que, cada vez mais, o peso das autárquicas no ciclo eleitoral em que se integram as legislativas se faz sentir em particular através das grandes cidades. As extrapolações políticas baseiam-se essencialmente nos resultados dos aglomerados urbanos onde não só se concentram grandes massas de eleitores, como também onde as flutuações de opinião pública e a sua intervenção directa mais se faz sentir. O PSD não terá também aqui razões para olhar o futuro com optimismo. O descalabro do cavaquismo registou-se especialmente nas cidades e até hoje a tendência não se alterou. É aqui que a trapalhada da Capital da Cultura é significativa. Não é, já se vê, necessário sublinhar a importância política do Porto, em si próprio e na vasta e densamente povoada área nortenha. Pareceria assim elementar que o Executivo em geral e António Guterres em particular (para já não falar de Fernando Gomes) tudo fizessem para evitar que os conflitos entre Santos Silva e Manuel Maria Carrilho chegassem ao ponto a que chegaram. Tanto mais que tudo se passa no interior da própria área socialista, de Santos Silva a Carrilho, do Governo ao município portuense. Não é preciso ser perspicaz analista político para concluir que perturbar uma iniciativa de impacte público para ano de autárquicas é a última coisa que um governo desejará. E o mais curioso é que este insólito laissez passer parece ter-se transformado no estilo governante de António Guterres desde que, por um lado, falhou a maioria absoluta e, por outro, é presidente da Internacional Socialista, que agora tem, como ele próprio sublinhou, "também funções executivas (...) para poder mais facilmente mobilizar os seus colegas com idênticas responsabilidades"... Como escrevia há dias Vítor Dias no Semanário, isto anda qualquer coisa no ar... Ruben de Carvalho escreve neste espaço às
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