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| 5 de Maio de 2000 |
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Em 1994, a revista passou a regularmente elaborar um top 50 das fortunas, mas definidas de forma restritiva: apenas as obtidas no que designou Idade da Informação, ou seja, em torno das telecomunicações, do entretenimento, da informática. Seis anos decorridos, os critérios anteriores já eram insuficientes para albergarem todas as vaidades passíveis de montarem stand na feira e foi iniciado novo top 50: o e-establishment, ou seja, as 50 maiores fortunas no campo da Internet, fusões entre suportes, criação de software, etc. Presentemente, 56 dos cem milhões de lares americanos possuem computador e 41 milhões estão on-line e os americanos aplicam na rede 615 milhões de horas por semana. Não admira assim o exponencial crescimento dos negócios, mas as coisas mudaram. Um novo projecto no sector envolvia até há pouco capital da ordem dos dez milhões de dólares, hoje a dimensão da actividade e a concorrência impõe dez vezes mais, com um aspecto ainda mais impressionante: o horizonte temporal de uma iniciativa desta dimensão é de um ano, momento a partir do qual tem de revelar-se viável ou não. Se o sucesso se verificar, o mais plausível é a empresa ser adquirida por um gigante do sector. A idade média dos membros do e-establishment anda à volta dos 45 anos. Significa isto que, incluindo os jovens génios que desencadearam negócios aos 20 anos, a maioria é constituída por indivíduos que possuíam já algum conhecimento numa área de negócio e, familiarizando-se com a Internet, o adaptaram inovadoramente ao e-commerce ou quadros já ligados a empresas informáticas a vários níveis (engenheiros, gestores, etc.) que, ou por terem sido despedidos ou por opção, iniciaram novos negócios a que aplicaram a sua experiência. É essencial sublinhar, contudo, que o grande passo para a valorização das empresas reside na sua cotação na bolsa: a partir daí, o seu valor é medido pelas cotações, o que se não traduz inevitavelmente num funcionamento particularmente lucrativo do negócio propriamente dito (o caso mais exuberante é o da Amazon). Lado a lado com o carácter puramente comercial da maioria das empresas do top 50, tudo aponta para um complexo processo de especulação financeira na construção deste volume de negócios, sujeito aliás às mais duras normas da concentração. O mais interessante, contudo, é a própria Vanity Fair, que o escreve: a revista decidiu compilar o seu e-establishment, porque chegou à conclusão que os top 50 iniciados há seis anos estão hoje completamente integrados no establishment geral e nada os distingue dos Vanderbilt, dos Morgan ou dos Carnegie, que constituíram, a partir do século passado, o núcleo duro do capital americano e mundial. Scott Fitzgerald já tivera a clarividência de verificar que o essencial muda pouco na Vanity Fair... Ruben de Carvalho assina esta coluna à sexta-feira |