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A questão parece merecer cuidados às novas autoridades, uma vez que um dos objectivos cometidos à comissão é também "rever o regulamento interno da FCDM no sentido de apertar mecanismos de controlo sobre o funcionamento da fundação". Serão seguramente poucas as pessoas que em Portugal já tenham ouvido falar da Fundação Jorge Álvares, (do nome do primeiro português que, aportando a Cantão em 1513, chegou à China) e, de facto, a ela pouco ou nada se referiram os órgãos de comunicação. Coisa até bizarra, quanto agora se sabe que ela se destinará a "promover o intercâmbio cultural e científico entre Portugal e Macau", coisa deveras lógica que se referisse quando se encheram páginas e páginas sobre os "últimos dias da nossa presença no Oriente". Mas a verdade também é que não se trata de instituição muito antiga: foi criada em Lisboa poucos dias antes de cessar a administração portuguesa, há um mês e tal portanto. Conta porém desde início com duas dotações de vulto: 50 milhões de patacas da citada Fundação para a Cooperação e Desenvolvimento de Macau - dádiva que desencadeou o inquérito - e outros 50 milhões da Sociedade de Turismo e Diversões de Macau, concessionária do jogo no território. Tudo num total de cerca de 2,4 milhões de contos. A Fundação possui um Conselho de Curadores constituído por personalidades relevantes e conhecidas como todos os ex-governadores de Macau, Stanley Ho e sua filha, sucedendo que o último governador, general Rocha Vieira, foi não apenas indigitado para agora presidir à Fundação Jorge Álvares como era o presidente da Fundação para a Cooperação e Desenvolvimento de Macau à data da atribuição do referido donativo. Tudo indica assim que o comum dos portugueses toma conhecimento da existência da nova Fundação graças ao desagradável facto de ela estar relacionada com uma investigação sobre patacas de Macau e entidades de Lisboa. O que colocará interrogações várias, que se poderão talvez resumir a duas. A constituição da Fundação Jorge Álvares e os donativos a ela atribuídos foram concretizados sem conhecimento da parte chinesa? Se assim foi, tendo em conta tudo o que se passou em Macau e até a consabida sensibilidade das autoridades chinesas em relação à Fundação Oriente, o menos que se pode dizer é que foi uma imprudência. Se, pelo contrário, a parte chinesa tinha inteiro conhecimento da iniciativa e operações a ela ligadas e, em tempo, a elas nada obstou, não se justificará um esclarecimento oficial português cujos termos sejam - é o menos que se pode dizer - claros?
Ruben de Carvalho escreve neste espaço às sextas-feiras
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