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Niurka Dum�nigo Garc�a,
representante da Uni�o da Juventude de Cuba,
31 anos, presidente da Organiza��o de Pioneiros Jos� Martin

�Cada vez que saio de Cuba, agarro-me mais ao meu pa�s�

Avante!Quais s�o as grandes dificuldades que a juventude cubana tem de enfrentar devido ao bloqueio dos EUA?

Niurka Dum�nigo Garc�a Cuba est� submetida a um brutal bloqueio h� quase 40 anos e s�o os jovens e as crian�as que sofrem as principais consequ�ncias, por ser as idades em que mais precisam de uma boa alimenta��o, de servi�os m�dicos e de material escolar.


Quando eu era adolescente, a situa��o era diferente. Agora temos um per�odo especial em Cuba. O bloqueio impede que organiza��es amigas nos mandem medicamentos, equipas m�dicas ou alimentos. Amigos de Cuba negociaram com o pa�s durante muitos anos, mas a lei norte-americana Helms-Burton impede-os de enviarem barcos.

O que recebemos � por pura solidariedade. Existem muitas pessoas que atrav�s de organiza��es entregam materiais, medicamentos e alimentos. Mas foi uma etapa muito dif�cil da Revolu��o, especialmente para os jovens.

N�o existe a tenta��o de cair no erro de pensar que a culpa da situa��o econ�mica e do bloqueio � do comunismo?

Para n�s � bem claro o papel do imperialismo norte-americano. A juventude cubana confia plenamente na sua revolu��o. Somos muito cr�ticos connosco pr�prios. N�o te posso dizer que n�o somos uma juventude rebelde, que n�o estamos numa permanente auto-an�lise para nos aperfei�oarmos. A popula��o de Cuba sabe que a solu��o desta etapa dif�cil est� na condu��o do Partido Comunista.


Os jovens e as crian�as cresceram na Revolu��o e sabemos como � o capitalismo atrav�s dos nossos pais, da Hist�ria, daquilo que conta quem vai estudar ao estrangeiro. Para mim, por exemplo, que estou agora em Portugal, � muito f�cil perceber as diferen�as entre um pa�s capitalista e um pa�s socialista, onde h� igualdade de educa��o e sa�de, onde tudo isso � gratuito, onde n�o tens de pagar assist�ncia m�dica, a escola ou a universidade, onde tens um trabalho seguro logo que saias da faculdade.

Actualmente, como � a situa��o econ�mica em Cuba?

Estamos a assistir a um melhoramento da situa��o econ�mica, com investimentos estrangeiros. Lentamente, v�em-se melhorias mesmo ao n�vel da vida da popula��o. O turismo passou a ser a nossa principal fonte de emprego e h� muita gente interessada em fazer turismo em Cuba, n�o apenas pessoas da Am�rica Latina.

 
A cana de a��car, outra fonte de capital, est� muito melhor este ano do que o ano passado. H� melhores resultados na agricultura e na ind�stria, h� mais transportes, h� mais e melhores alimentos, a televis�o est� a funcionar durante mais horas. A tecnologia e a ind�stria m�dica equiparam-se ao primeiro mundo, embora n�s fa�amos parte do terceiro mundo.

Quais s�o as perspectivas para o fim do bloqueio?

N�o conv�m nada aos Estados Unidos haver uma amostra para o mundo do que � uma revolu��o. E como n�o lhes conv�m... Eu n�o vejo perto o fim do bloqueio. O capitalismo tamb�m est� em crise, por isso t�nhamos de ver como � que agir�o as for�as pol�tica no futuro. Cuba � das melhores maneiras de entender que � poss�vel uma sociedade justa.

Quando olhamos para um mapa, � impressionante comparar o tamanho dos Estados Unidos e de Cuba e ainda mais impressionante � quando pensamos em todos estes anos de resist�ncia do povo cubano...

H� agora algumas campanhas propagand�sticas no estrangeiro em rela��o a algumas leis que introduzimos no c�digo penal para sancionar com mais severidade delitos que ponham em perigo o pa�s, leis de protec��o da economia cubana � semelhan�a do que acontece em qualquer pa�s. Qualquer pa�s do mundo tem leis sobre a protec��o da sua soberania e n�o acontece nada. Mas quando Cuba aprova uma lei deste tipo, toda a gente diz que vai contra os direitos. A lei � exactamente o contr�rio, defende os direitos dos cidad�os.


Comentava uma amiga minha da Catalunha (Espanha) como as informa��es chegam completamente distorcidas ao seu pa�s. Em Cuba h� problemas, n�o h� nenhuma sociedade perfeita, mas falta objectividade e justi�a para falar deles.
Foi muito bom para n�s o Festival Mundial da Juventude, porque jovens de todo o mundo viveram nas nossas casas e viram como o pa�s � de facto. Chegam a apresentar-nos muitas vezes como uma ditadura! Nada mais falso!


Temos direitos garantidos, sa�de, educa��o, seguran�a social. Vivemos sem sobressaltos de viol�ncia, de matan�as... E isto aconteceu com um �nico partido: o Partido Comunista. N�o temos por que mudar, se nos sa�mos bem. E nesta realidade cresci eu e, cada vez que saio de Cuba, agarro-me mais ao meu pa�s.

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Avante!� N� 1323 - 8.Abril.1999

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