Massacre de Sérvios

 

No Sábado, 24/7/99, as televisões anunciaram a ocorrência de um massacre de sérvios no Kosovo.

O oficial inglês, que falava aos jornalistas, afirmou que, para a Nato, tal acto não podia ficar sem resposta e que iriam seguir todas as pistas para encontrar os responsáveis.

Ora, aqui é que está o busílis da questão. Aqui é que está toda a duplicidade da Nato que, neste caso, parece não fazer ideia de quem terão sido os responsáveis.

Mas, se as vítimas fossem albanesas, a atitude da Nato não seria outra? Nesse caso, a Nato, sem precisar de investigações, não estaria já a apontar o dedo acusador aos sérvios e, pessoalmente, a Milosevic?

Então, porque não procede agora da mesma forma? Porque não aponta o dedo ao UÇK e, pessoalmente, a Hashim Thaqi? Será por este ser o pião das nicas da Nato?

Mas então, não será justo dizer que a Nato, ao proceder assim, se está a guiar pela máxima de um presidente dos USA sobre um déspota latino-americano: "ele é um filho da puta, mas é o nosso filho da puta"?

Evidentemente, são situações destas que reforçam a ideia de que, naquela região, a Nato não faz parte da solução mas sim do problema. A solução, cedo ou tarde, terá de ser encontrada pelos povos da região, sem ingerências externas, da Nato ou seja de quem for.

Não pude deixar de notar igualmente a conclusão que o jornalista da SIC, o que fez os comentários em voz off no Jornal da Tarde, retirou do caso.

Para ele, os sérvios estavam a recolher as consequências do ódio que tinham espalhado(!)

Simplesmente, nunca ouvi, naquele ou noutro canal de televisão, dizer que o que os sérvios fizeram aos albaneses foi o resultado do que estes tinham feito àqueles (por ex.: 50 mil sérvios deixaram o Kosovo, fugindo do UÇK no ano que antecedeu a guerra, segundo o Financial Times de 18.6.99) e muito menos que fosse o resultado do que a Nato estava a fazer aos sérvios em nome dos albaneses.

Será este o paradigma de uma informação isenta?

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