5/4/99

       No mundo das palavras é sempre possível arranjar argumentos, aparentemente consistentes, para defender qualquer posição.

       Mas, as palavras têm de ter qualquer relação com a realidade. E nada melhor do que a realidade para comprovar ou desfazer as melhores elucubrações.

       É o que os acontecimentos de Timor vieram fazer às teses dos oficiais e oficiosos luso-militaritas, defensores da agressão à Jugoslávia.

      Xanana Gusmão vem apelando insistentemente à intervenção da comunidade internacional para proteger os timorenses. A resposta tem sido nula.

      Hoje soube-se de mais um massacre...

      E qual foi a reacção? O governo português, o governo rosa que, em obediência servil às ordens dos "States", e com o apoio de dirigentes máximos do PSD e PP, fez entrar Portugal em guerra contra a Jugoslávia, teve uma reacção de peso: fez sair um comunicado!

      Que bomba! A Indonésia até tremeu! O governo do Guterres apresentou queixa na ONU!        A Indonésia está em pânico, já corre para os abrigos!

      Os Estados Unidos, a Nato, com a subserviente anuência dos governos europeus, com destaque para a desprezível marioneta inglesa, fizeram da ONU um "verbo de encher". E é para lá que Portugal recorre!

      Como Ali Alatas, o melífluo ministro dos negócios estrangeiros indonésio, se deve rebolar de riso.

      Em Timor a Indonésia faz o que faz, faz o que sempre fez, sem se apoucar com ONU, Nato, Clinton ou Blair porque é amiga do Big Boss.

      Os interesses dos Estados Unidos estão bem salvaguardados na Indonésia actual.

      Por isso, apesar do que a Indonésia é e faz, não há lugar para os direitos humanos nem para as questões humanitárias. Não há sanções nem intervenções. A política militar portuguesa e da Nato está muito ocupada com a Jugoslávia.

      Nota: Hoje, 6/4/99, foi noticiado mais um horrível massacre de timorenses.

      Apoio totalmente a corajosa posição de Xanana1

      E o que dizer da posição dos USA? Não está tudo claro?

....

      Se bem percebi o que disse hoje (5/4/99) o almirante Fuzeta da Ponte na SIC, a Nato estaria a contar com os albaneses do Kosovo para apoiarem o UÇK nas suas acções armadas (terroristas) contra as autoridades jugoslávas, uma vez que qualquer "guerrilha" só terá sucesso se gozar do apoio popular.

      Mas parece que houve um "erro de cálculo". As cabeças tontas da Nato não foram capazes de prever o que era absolutamente previsível. E em lugar de uma situação favorável ficaram com um grande problema nas mãos.

      É claro que, no meio de tudo isto, a população do Kosovo, que com amigos destes não precisa de inimigos, é quem sofre. Sem esquecer, obviamente, o sofrimento de todo o povo jugoslavo.

      E sem esquecer também que, no final, o problema não é para a Nato, mas para todos nós, pois, embora nem ouvidos nem achados em toda esta tragédia, seremos nós (os que pagam impostos) que tudo acabaremos por pagar!

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